
O relatório, apreciado na Assembleia de Freguesia de sexta-feira passada, incidiu sobre a atividade da Junta nos últimos meses, como é habitual, à exceção do mês em curso. Rodolfo Andrade decidiu analisar o relatório de uma forma “mais exaustiva”, dado tratar-se da sua última intervenção na Assembleia enquanto presidente de Junta no mandato atual. “Havia uma máxima quando aqui chegamos: não vamos acabar com rigorosamente nada daquilo que está feito para trás e em curso, mas vamos melhorar e acrescentar algo àquilo que é a atividade da Junta de Freguesia”, enalteceu o autarca, referindo-se a iniciativas como o passeio sénior e as idas à praia, sublinhando a intervenção de uma munícipe no período de intervenção do público, que agradeceu ao executivo por aquele tipo de iniciativas. “Depois, fizemos coisas novas: reforçamos o apoio na área da juventude [Semana da Juventude], aos bombeiros – para além do apoio à compra de medicamentos, todos os anos apoiamos os bombeiros com a compra de equipamento [compra de almofadas de alta pressão em 2025] –, na ação social, na cultura, ao desporto – em conjunto com a Câmara Municipal e o grupo ‘Os Pupilos do Zé-Tó’, com o Trail do Chapeleiro”, exemplificou, acrescentando que, embora o relatório descreva as atividades dos últimos três meses, espelha também aquilo que foi efetuado pelo executivo nos últimos quatro anos. “Termino este mandato de coração cheio e com o sentimento de dever cumprido”, concluiu Rodolfo Andrade.
O deputado socialista, Afonso Alves, começou a sua intervenção por dizer que, ao longo destes quatro anos, “houve sempre respeito” naquela Assembleia aquando da discussão de ideias com a oposição, enfatizando, de igual forma, que os projetos existentes na Junta “ganharam nova energia e qualidade”. “Governar é estar próximo dos sanjoanenses. É isso, acima de tudo, que deve ficar para a memória destes quatro anos de trabalho”, considerou Afonso Alves. Também o deputado Pedro Neves (PSD/CDS-PP) refletiu sobre os quatro anos desde que os sanjoanenses escolheram o PS para governar, enaltecendo que a oposição realizada foi “cooperante e construtiva” e reconhecendo cada um dos elementos da Assembleia. No entanto, apontou os “erros e falhas” do executivo. “Em praticamente todas as Assembleias, houve documentos a chegarem com erros. Em vez de se assumir os erros, preferiu-se sempre atacar a oposição”, afirmou Pedro Neves, referindo, ainda, as “falhas gritantes”. “Falou-se tanto dos tanques de S. João da Madeira, uma bandeira de campanha [do PS] e, ao fim de quatro anos, [temos] dois tanques recuperados. É a prova de que o discurso foi maior que a obra”, exemplificou, terminando a sua intervenção com uma nota pessoal: “Cessam as minhas funções de autarca; não serei candidato a nenhum órgão autárquico nos próximos quatro anos. Foi uma enorme honra estar ao serviço da freguesia.”
“A beleza da democracia é esta; até um burro pode ter opinião”
No período de intervenção do público, a munícipe Dulce Bizarro, em representação da CDU, enfatizou a importância da Junta de Freguesia a propósito do que se pode ler num cartaz de campanha política presente na cidade. “A força política em causa considera então a existência desta Junta de Freguesia como inútil e considera-a mesmo – e peço perdão pela expressão – um «tacho»”, apontou Dulce Bizarro. “A pretendida extinção da freguesia significaria menos meios e agentes de intervenção”, afirmou. Na sequência dessa intervenção, a presidente da mesa da Assembleia de Freguesia, aquando do término da apreciação do relatório de atividades da Junta, pronunciou-se sobre o tema. “Desprezar a importância das freguesias, e da nossa freguesia em particular, é não reconhecer a importância de um trabalho olhos nos olhos, próximo, que é isso que a política deve ser”, afirmou Ana Rita Pereira. No período de antes da ordem do dia, também o deputado Pedro Neves (PSD/CDS-PP) comentou o assunto em questão, fazendo alusão ao cartaz político que suscitou o tema. “A beleza da democracia é esta; até um burro pode ter opinião”, rematou. “A base do trabalho para as populações começa aqui [Junta de Freguesia] e não no município”, sublinhou.
Aprovação da ata suscitou última discussão do mandato
O único assunto do período da ordem do dia, sujeito a votação, foi aprovado por maioria, com os votos contra da coligação ‘A melhor cidade do país’. Em causa, a ata número 18 de 26 de junho de 2025. “Durante quatro anos, vim aqui falar da questão das atas no sentido de dignificar as intervenções. Esta responsabilidade é da mesa; podia ter feito mais do que aquilo que fez”, considerou o deputado Ricardo Queirós. “Se os elementos presentes se conformam com a forma como são retratados nas atas, eu não me conformo”, explicou, considerando que a duração de uma transcrição “ajustada” deve demorar “20 minutos, no máximo”. Com a nota da presidente da mesa da Assembleia de Freguesia de que todas as intervenções do deputado foram registadas, Beatriz Santos, como responsável pela elaboração das atas nos últimos quatro anos, decidiu intervir. “Se a Assembleia tem quatro horas, no mínimo dos mínimos, a correção demora as quatro horas”, exemplificou. “Nunca demora só 10 ou 20 minutos”, esclareceu.
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