Política

“São João da Madeira está estagnada há oito anos”

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A estagnação da cidade, a elevada carga fiscal e a fuga de investimento marcam as principais linhas da Iniciativa Liberal à governação socialista em São João da Madeira. O candidato à Câmara Municipal, Tiago Lima, apresenta-se como alternativa com três prioridades: reduzir impostos, captar investimento e acelerar a construção de habitação, prometendo ainda corrigir falhas nas infraestruturas básicas.

Jornal 'O Regional'– Como é que o Tiago entrou na política e por que é que escolheu a Iniciativa Liberal como partido para esse percurso?
Tiago Lima – Desde jovem sempre tive um interesse especial pelas questões políticas porque tinha a noção que isso impactava a vida das pessoas e o seu futuro, em particular, as questões políticas autárquicas. A Iniciativa Liberal surge no final do meu percurso académico e percebi desde logo que era um partido diferente dos que existiam. Além disso, ter como prioridade a redução de impostos, a captação de investimento, a criação de riqueza faz todo o sentido quando se quer fazer um país e uma cidade crescer.

O que o motivou a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de São João da Madeira?
É por demais evidente o estado estagnado em que a cidade se encontra resultante das políticas de um executivo socialista nos últimos oito anos. No entanto, sinto que os Sanjoanenses procuram uma verdadeira alternativa para a nossa cidade e sinto que os valores e as ideias liberais são o que procuram para o seu futuro. Posto isto, decidi avançar com esta candidatura e sinto mesmo que somos a verdadeira alternativa!
Qual é o diagnóstico da Iniciativa Liberal sobre a atual gestão da Câmara Municipal e que falhas específicas aponta à governação em curso?
Nos últimos oito anos, a Câmara Municipal falhou redondamente a corresponder às expectativas dos Sanjoanenses. O executivo socialista arrecada mais em impostos, aumentou a dívida do município, possui mais funcionários e continua a apresentar menos e piores serviços públicos. A estratégia de habitação centrada na componente pública e esquecendo a classe média dos Sanjoanenses é completamente falhada. Andou o último ano a prometer obras que não avançaram: Avenida do Brasil, novas piscinas municipais, a requalificação do Pavilhão das Travessas, o Edifício 3 da Sanjotec, o Parque Verde das Corgas, o edifício da PSP. Persistem os jardins ao abandono, passeios e estradas intransitáveis e as infraestruturas públicas degradadas.

Por que razão a Iniciativa Liberal decidiu não apresentar uma lista à Junta de Freguesia de S. João da Madeira, apesar de concorrer à Câmara Municipal?
Esta é uma tomada de posição da estrutura local sobre o ordenamento do território a nível nacional. São João da Madeira é o menor concelho do país e tem duas estruturas executivas a governar exatamente o mesmo território que acarretam um acrescento muito significativo em despesa com pessoal. Não podemos pedir um esforço aos Sanjoanenses e depois esbanjar o dinheiro dos cidadãos com estas redundâncias. Além disso, é extremamente difícil dissociar a Junta de Freguesia de um programa eleitoral da Câmara Municipal. Que nenhum Sanjoanense se engane, as verdadeiras decisões que impactam a freguesia são tomadas pela Câmara Municipal.

Disse que “em S. João da Madeira ninguém sente falta da Junta de Freguesia”. Em que dados ou perceções locais se baseia essa convicção?
A população em geral não sabe qual é o nome do Presidente da Junta e tenho dúvidas sequer que saibam qual é o edifício onde a Junta de Freguesia se encontra localizada. Além disso, as atividades da Junta facilmente poderiam transitar para a Câmara e nenhum cidadão teria noção disso.

Como responde a Iniciativa Liberal à crítica de que a ausência de uma lista à Junta pode ser interpretada como falta de estrutura local ou de quadros disponíveis?
Essa não é uma crítica plausível uma vez que apresentamos as razões pelas quais não apresentamos uma lista. Não poderíamos criticar a existência da Junta de Freguesia e o encargo financeiro que ela representa e depois ter uma posição hipócrita e apresentar uma lista só para benefício próprio dos elementos que a constituem. A IL está do lado dos Sanjoanenses, tem noção do esforço que fazem e reconhece-o. Não desperdiçamos os seus impostos com redundâncias.

“Os Sanjoanenses sempre foram proativos e empreendedores”

Afirmou que “ser sanjoanense é ser liberal”. O que significa, na prática, essa associação entre identidade local e ideologia política?
Na história da cidade, os Sanjoanenses sempre foram proativos e empreendedores, formaram as suas empresas, empregaram milhares de pessoas nos chapéus e, posteriormente, no calçado. O concelho chegou a ser considerado um dos maiores pólos industriais do país e isso deve-se aos Sanjoanenses. Além disso, atualmente, sabemos que querem a redução de impostos, melhores condições no acesso à habitação, a diminuição da burocracia que os sufoca, a captação de investimento para o concelho e melhores e mais modernas infraestruturas públicas. E isto é ser Liberal!

A sua candidatura refere que o concelho está “igual aos tempos de Manuel de Almeida Cambra”. Quais são, concretamente, os indicadores de imobilismo que identificam?
Apesar de tudo, nesses tempos, os Sanjoanenses sentiram que a cidade era ativa e evoluiu. Atualmente, a Câmara Municipal tem uma postura imóvel perante, por exemplo, o investimento. Os últimos mandatos ficaram manchados pela fuga de indústrias da cidade para os concelhos vizinhos. Postura inadmissível num concelho como o nosso!

A Iniciativa Liberal defende a eliminação de estruturas consideradas “redundantes”. Pretendem propor alterações legislativas ou administrativas a nível nacional neste sentido?
São João da Madeira pertence ao distrito de Aveiro mas integra a Área Metropolitana do Porto. O município tem candidaturas e fundos aprovados pela CCDR-Norte, enquanto a capital do nosso distrito tem candidaturas à CCDR-Centro. Isto é ser mal organizado e redundante. Obviamente para que Portugal cresça e os municípios ganhem com isso temos que eliminar estas redundâncias. Além disso, não há caso mais evidente de uma redundância como possuirmos Junta de Freguesia e Câmara Municipal num concelho de uma só freguesia.

Mencionou que o concelho perdeu qualidade de vida. Quais são os sinais mais evidentes dessa perda?
Não é a IL que o diz, são os estudos! São João da Madeira já foi considerado o melhor município para se viver em Portugal e já há mais de uma década que não o é! A cidade perdeu sobretudo em infraestruturas, em transportes, em inovação e modernismo.

A Iniciativa Liberal vê vantagens na dimensão reduzida do concelho. Que oportunidades específicas identificam para transformar essa limitação em força?
Uma dimensão reduzida traz uma facilidade maior em integrar os vários meios de transporte coletivos. Outro exemplo é a Sanjotec que numa área reduzida consegue colocar empresas de elevadíssimo valor acrescentado para o município e para os seus trabalhadores.

A candidatura aponta a burocracia como um dos principais entraves ao progresso. Que medidas concretas propõe para acelerar os processos administrativos no município?
Há todo um leque de documentação que é passível de serem os órgãos públicos a partilhá-la. Não faz o mínimo sentido um cidadão ter que ir buscar uma certidão à Junta de Freguesia para apresentá-la na Câmara Municipal. Isto é um exemplo burocrático que trava o avanço e a rapidez na resposta e que pretendemos eliminar.

Que reformas específicas serão propostas para a gestão autárquica, nomeadamente na relação com cidadãos e investidores?
Os investidores são uma das nossas prioridades. A cidade avança tanto quanto mais se investir em São João da Madeira. A nossa posição é a de facilitar tanto quanto possível na lei a vida de quem queira investir no concelho. Se não formos simples e rápidos na abordagem, o investimento irá fugir para concelhos que o sejam.

Mário Pessegueiro apontou a falta de espaço para indústrias de grande dimensão. A candidatura propõe alguma revisão do Plano Diretor Municipal (PDM)?
Há uma revisão do PDM que estava em curso e que nem se sabe se já está concluída dado o atraso da Câmara Municipal em todo o processo. Pensamos que há mais que se pode fazer no PDM, nomeadamente, nos lotes industriais.

Pessegueiro também criticou o “planeamento urbano” e a “proliferação de supermercados”. Que modelo urbanístico e comercial defende a candidatura como alternativa?
Queremos uma cidade moderna e tecnológica com investimentos que impactam a cidade. Há uma sobrecarga de determinadas atividades comerciais em detrimento de outras. Há um nivelamento que pode acontecer para que, inclusive, se potencie mais, por exemplo, o comércio local.

Foi referida a saída de empresas como Molaflex e Faurecia. O que teria feito a candidatura de forma diferente para evitar essas perdas?
Foi evidente que se podia ter feito mais nos dois casos. Já pensaram o que pode levar uma empresa a ter a sua produção num concelho e os seus escritórios noutro? Precisamos de um executivo aberto e transparente com as empresas e temos que lhes dar condições para se fixarem no território e a descida dos impostos, como a derrama, são um fator crucial.

Como é que a Iniciativa Liberal pretende garantir que o investimento privado que quer atrair não compromete os valores comunitários e ambientais do concelho?
Investimento de empresas empreendedoras como as que se localizam na Sanjotec não têm um impacto ambiental assim tão significativo na cidade. São essas empresas e esse investimento que queremos captar.

Tiago Lima

“Os políticos não devem ser elitistas”

O partido fala em “pragmatismo, rigor e abertura ao investimento privado”. Que garantias dão de que essa abertura não se traduzirá em liberalização sem regulação?
É o estado que deve estar atento à regulação de determinadas áreas comerciais. Em tudo o resto, a liberalização traz concorrência que favorece o consumidor final – os Sanjoanenses.

O Tiago comprometeu-se a ter o gabinete “aberto 24 horas” a quem queira investir. Esta promessa é exequível ou simbólica? Como será operacionalizada?
Os políticos não devem ser elitistas. Devem trabalhar e corresponder às expectativas dos cargos que ocupam. Da minha parte, se for eleito, haverá uma abnegação total ao cargo que irei ocupar. É um compromisso com a cidade e com os Sanjoanenses!

Qual é a visão da candidatura para o comércio local e como pretendem conciliar o apoio ao tecido tradicional com a inevitável presença de grandes superfícies?
A resolução das questões do comércio local prende-se com nivelar as condições que a Câmara consegue oferecer com as que as grandes superfícies oferecem. O centro da cidade necessita urgentemente de sombra, casas de banho públicas, parque infantil, parque de estacionamento e melhores condições do edificado. Estas são as condições mínimas que encontramos numa grande superfície. Não há comércio local sem pessoas e não há pessoas se não lhes dermos condições para lá irem!

A candidatura destaca o simbolismo do momento e a presença de jovens. Que papel atribuem à cultura, à juventude e à participação cívica na regeneração económica e social da cidade?
Os jovens são a força motriz de uma sociedade. Todos concebemos que lhes é associado uma componente associativa, cultural e cívica muito forte. Queremos contar com os jovens para mudar a nossa cidade!

E quanto aos idosos, qual será a sua linha de orientação?
Os idosos não podem ser deixados para trás. A cidade deve acompanhar e sinalizar devidamente os casos mais complicados. Aliado a isto, cabe-nos reforçar uma componente de cuidados de saúde a quem necessita deles e focar-nos na mobilização ativa desta geração.

Como interpreta a Iniciativa Liberal o papel do poder local na transformação económica e social de uma cidade como São João da Madeira?
Uma coincidência é que nasci e cresci em Fundo de Vila, no Bairro do Poder Local. O poder local é fundamental para fazer crescer uma cidade e melhorar as condições de vida de todos os cidadãos.

Se for eleito, que prioridades vai ter em cima da mesa?
As prioridades passam pela redução de impostos. É imperativo que a Câmara Municipal trate melhor os Sanjoanenses e lhes devolva alguns daqueles que são os impostos que pagam. Além disso, passará muito pela captação de investimento e a construção rápida de habitação no território para suprir o problema da habitação no concelho. Por último, há pequenas questões de brio nas infraestruturas públicas que queremos corrigir rapidamente, como escadas rolantes, elevadores, ar condicionado, passeios e estradas.

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