
João Oliveira iniciou o mandato na presidência da Câmara de São João da Madeira com três eixos considerados imediatos – o novo Nó do IC2, a modernização urbana e a expansão tecnológica. A Praça Luís Ribeiro integra igualmente o plano de intervenção, prevendo-se a criação de uma zona de lazer, parque infantil e novos espaços de convívio, numa cerimónia na Casa da Criatividade que marcou a transição política no concelho.
O novo presidente abriu o mandato sublinhando que o concelho entra numa “nova ambição”. Entre as prioridades destacou a construção do Nó do IC2 junto ao Parque do Rio Ul, que permitirá ligação direta entre a Zona Industrial das Travessas e a A32. Afirmou tratar-se de “um motor de desenvolvimento económico e empresarial”.
A sessão decorreu no domingo ao final do dia, na Casa da Criatividade. No primeiro discurso enquanto presidente, João Oliveira afirmou que “hoje é um dia especial” e que o guardará “para sempre na memória e no coração”. Realçou ter assumido o cargo “com enorme honra e profundo sentido de responsabilidade” e garantiu que sempre pautou a vida pública “pela responsabilidade, pela seriedade e pela exigência”. Recordou o contacto obtido durante a campanha – “percorri as ruas, falei com as pessoas, ouvi as associações, os empresários, os jovens e os seniores” – e destacou a “vontade coletiva de ver São João da Madeira ser uma cidade com energia, com dinamismo e com orgulho”.
O autarca apresentou ainda as medidas previstas para os primeiros 100 dias – requalificação de passeios, pavimentação de estradas, limpeza de jardins, melhoria da recolha de lixo e preparação da animação natalícia. “Prometemos que, nos primeiros 100 dias, a imagem da cidade iria mudar – e é isso que vamos concretizar”.
Com a entrada em funções do executivo PSD/CDS-PP, a coligação mantém maioria absoluta na Câmara e na Assembleia Municipal. Tomaram posse Tiago Correia, Dulce Santos e Pedro Gual. Pelo PS iniciaram funções José Nuno Vieira e Paula Gaio, ficando a tomada de posse de José Carlos Fonseca dependente do regresso ao país do eleito Jorge Vultos Sequeira, que renunciou ao mandato.
“Piscinas deixarão, finalmente, de ser uma promessa adiada”
João Gomes Oliveira emocionou-se ao recordar o percurso profissional de mais de 40 anos no setor bancário e o apoio da família em cada etapa. Já tinha desempenhado funções autárquicas em 2010, como vereador. No plano dos grandes investimentos, reafirmou que o Nó do IC2 é uma prioridade absoluta, justificando que o acesso permitirá “mais investimento, mais emprego e mais competitividade”. Acrescentou que as novas Piscinas Municipais “deixarão, finalmente, de ser uma promessa adiada”.
A Praça Luís Ribeiro será renovada com novos usos de lazer e convívio. O executivo pretende avançar com uma estratégia integrada de reabilitação urbana, reforço do comércio local e dinamização cultural que proporcione “uma agenda vibrante, regular e atrativa”.
A inovação foi apresentada como eixo central – “será o motor da nossa governação” – com o avanço da Sanjotec III e a preparação da Sanjotec IV. O município quer ainda reforçar a área educativa mediante requalificação de escolas e melhoria das condições de trabalho de professores, alunos e funcionários. No setor da habitação, está prevista a construção de 460 fogos a custos acessíveis, destinados sobretudo a famílias jovens. Para a população sénior, o autarca anunciou programas de apoio e políticas de envelhecimento ativo.
Cidade inclusiva e equilibrada
Numa fase posterior do discurso, João Oliveira afirmou que “tudo isto é possível”, mas apenas com trabalho conjunto. Defendeu um mandato assente no diálogo “com todos os partidos”, instituições, empresas, escolas e associações. Dirigiu uma mensagem aos colaboradores do Município, sublinhando que são eles que “garantem que o essencial não falha” e prometendo valorização e reconhecimento.
O autarca evocou o centenário da autonomia administrativa, que será assinalado em breve, destacando a “visão e a audácia” que impulsionaram o concelho desde 1926. Saudou os ex-presidentes presentes – José da Silva Pinho, Manuel Castro Almeida, Ricardo Figueiredo e Jorge Vultos Sequeira – e afirmou que esse espírito deve orientar a governação atual.
No fecho, reafirmou que pretende uma cidade inclusiva “onde ninguém fique para trás – de Carquejido à Mourisca, do Fundo de Vila ao Parrinho, da Quintã às Fontaínhas, de Casaldelo ao Orreiro, da Ponte à Devesa Velha”. Garantiu ser “o mesmo João – simples, direto e próximo”, mas agora como “Presidente de todos os Sanjoanenses”. Concluiu com o compromisso – “Dar a São João da Madeira uma Nova Ambição e fazer desta cidade a melhor cidade do País”.
Entre os convidados estiveram Manuel Castro Almeida, ministro Adjunto e da Coesão Territorial; Ricardo Oliveira Figueiredo, último presidente social-democrata antes de 2017; Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local; José da Silva Pinho; e deputados eleitos pelo distrito de Aveiro - João Almeida e Paulo Cavaleiro. A Câmara de Santa Maria da Feira esteve representada por Paulo Marcelo, vereador da Cultura.
Clara Reis: “A perda de maioria (…) entristeceu-me”
Maria Clara Reis, presidente cessante da Assembleia Municipal, afirmou que encerra “oito anos da minha vida, em cumprimento de um serviço por São João da Madeira, um ciclo de vida que termina aqui!”. Declarou ter exercido funções “com dedicação” e que “sem falsa modéstia, orgulho-me do trabalho realizado e das sementes lançadas”.
Referiu iniciativas como a Assembleia Municipal Jovem, Celebrar Abril e Celebrar a Nossa História, frisando que estas “valorizaram e promoveram a história da nossa revolução e da nossa cidade”. Destacou o apoio das escolas – “a dedicação dos nossos professores e o apoio das direções das diferentes escolas foi exemplar”.
Afirmou que “o resultado são as sementes que darão fruto na sociedade do futuro de São João da Madeira”, já visíveis na participação dos jovens. Sobre as eleições, admitiu que “a perda de maioria do partido que represento, não posso negar, entristeceu-me”, mas sublinhou respeitar “a vontade expressa pelos sanjoanenses”.
Na conclusão, evocou o período pré-25 de Abril, lembrando que, em 1973, não seria possível “estarmos aqui a dar posse aos eleitos escolhidos pelo povo”, destacando que a autarquia era “fustigada pelo exercício da PIDE” e que os opositores ao regime eram “cobardemente silenciados”.
A cerimónia iniciou-se com a instalação dos membros da Assembleia Municipal, procedimento previsto no protocolo e que prolongou os trabalhos durante vários minutos. O programa integrou atuações de alunos da Academia de Música, da Banda de Música de São João da Madeira e da Associação de Solidariedade Social de Professores.
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