Política

CDU discorda de atribuição de medalhas de mérito a colecionadores

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A atribuição de medalhas de mérito aos colecionadores Richard Treger, António Saint Silvestre, José Lima e Norlinda Lima mereceu desaprovação da CDU na última assembleia.

As propostas de atribuição de medalhas de mérito municipal em ouro aos colecionadores Norlinda Lima, José Lima, Richard Treger e António Saint Silvestre já tinham sido aprovadas por unanimidade na reunião de câmara e passaram também pelo crivo da assembleia municipal extraordinária, realizada na passada quinta-feira. Enquadradas no 10º aniversário do Centro de Arte Oliva, as distinções são, para o presidente da câmara municipal, “da maior justiça”. Jorge Sequeira apontou que as coleções Treger/Saint Silvestre e José e Norlinda Lima contribuíram, de forma inequívoca, para o êxito do Centro de Arte Oliva nos últimos 10 anos, um “equipamento cultural dedicado à arte contemporânea e à arte bruta único e singular no país e na Península Ibérica”. “É a única instituição em Portugal que, com regularidade, se dedica a estas duas artes”, destacou, sublinhando que as duas coleções permitiram projetar a cidade no país e além fronteiras.
Por seu lado, Rita Mendes (CDU) “relativiza a importância social do município medalhar” os colecionadores. “A CDU não compara a propriedade das obras de arte com o trabalho crítico, de divulgação e de educação que recai sobre as mesmas. Ser proprietário de uma obra não é necessariamente uma posse de valor cultural e poderá constituir um mero investimento”, começou por afirmar. A deputada lembrou o Regulamento das Distinções Honoríficas do município para sustentar que “seria de esperar um reconhecimento dirigido àqueles que - através de associações locais - contribuíram para a formação artística de tantos jovens e adultos de S. João da Madeira e de concelhos vizinhos”. O Centro de Arte de S. João da Madeira, criado em 1986 por convite ao pintor Victor Costa do então vereador da Cultura, Marques Pinto, e sob o patrocínio do presidente da câmara da altura, Manuel Cambra, é um desses casos, considerou Rita Mendes, destacando o papel deste equipamento na democratização do acesso à arte no concelho. Ao longo de 37 anos, mais de 180 exposições de arte contemporânea passaram por ali, além de inúmeras publicações, workshops, oficinas, cursos teóricos e cursos anuais em áreas como a pintura, escultura, desenho, fotografia, joalharia ou design, numa “diversidade que relacionou artistas de diferentes gerações”.
Realçando o trabalho de quem muito deu ao Centro de Arte de S. João da Madeira – como Aníbal Lemos, Victor Costa, Rosa Godinho, Mário Bismarck, João Dixo, Artur Moreira, João Antero e Armando Pereira-, Rita Mendes questionou se estes nomes, pelos seus feitos e empenho, não seriam “mais merecedores” de uma distinção, ao invés da “mera propriedade de obras que, em troca de teto, de conservação, energia, segurança, despesas com seguro, curadoria, vêm permitindo simplesmente a visita das obras”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3959, de 26 de outubro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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