Política

“Assembleias descentralizadas serão mais uma iniciativa para chegarmos às pessoas”

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A nova presidente da Assembleia Municipal de São João da Madeira, Cristina Vila Verde, assumiu um compromisso firme em reforçar a proximidade com os cidadãos e quer avançar com a descentralização das sessões para aumentar a participação. Os restantes partidos marcaram a abertura do mandato com apelos ao diálogo, à responsabilidade institucional e à afirmação das suas prioridades políticas.

A presidência da Assembleia Municipal de São João da Madeira passou para Cristina Vila Verde, após a AD e o PS terem convergido numa lista única para a eleição da mesa. A autarca, eleita pela coligação PSD/CDS, assume a liderança do órgão, ficando Lília Laranjeira como primeira secretária e Pedro Fernandes como segundo secretário.
A nova presidente (coligação PSD/CDS) abriu o seu discurso de tomada de posse com um compromisso firme em reforçar a proximidade com os cidadãos. Assinalou que a realização de assembleias descentralizadas será um eixo central da sua presidência, defendendo que “cada um conta” e que “cada pessoa faz a diferença”. Sublinhou ainda que “realizar assembleias descentralizadas será mais uma iniciativa para chegarmos às pessoas”, acrescentando que, mesmo que numa sessão compareçam apenas “uma, duas ou três pessoas, será sempre uma vitória”.
Cristina Vila Verde afirmou que esta estratégia só será possível com um ambiente institucional construtivo – “O caminho é exigente. Não é fácil. Mas é possível, se aqui dentro houver sempre urbanidade, empatia e contenção”. E insistiu na capacidade de construir consensos: “A riqueza da democracia está na diferença, mas também na capacidade de encontrar, no respeito e no diálogo, um caminho comum”.
Na parte inicial do discurso, assumiu “profunda honra” ao tomar posse como presidente da Assembleia Municipal, declarando-se consciente da exigência do cargo e comprometida a exercê-lo “com rigor, dedicação, determinação e independência”. Reiterou o cumprimento do regimento, do regime jurídico das autarquias e o dever de garantir espaço para debate e reflexão com visão de futuro.
A também presidente da Ordem dos Advogados de São João da Madeira destacou o papel da Junta de Freguesia, frisando que a proximidade ao território é essencial para o sucesso da atividade municipal. Reafirmou ainda a continuidade dos projetos existentes – Assembleia Municipal Jovem, comemorações do 25 de Abril e do 11 de Outubro – admitindo melhorias sempre que tragam benefício para os sanjoanenses.
No campo das políticas públicas, elencou prioridades como o combate à pobreza, a habitação, o apoio às famílias, o conhecimento e a inovação, a sustentabilidade, as cidades verdes, a saúde, a cultura, o desporto e a segurança. “Tudo o que foi feito e o que faremos é feito para termos uma cidade melhor”, observou.
Ao abordar a participação cívica, admitiu a dificuldade de envolver a população num contexto de relações cada vez mais digitais, mas assegurou que o município pretende contrariar essa tendência, “indo ao encontro das pessoas, escutando-as, envolvendo-as nos assuntos da cidade”.
No plano institucional, deixou um apelo direto: “Apelo, desde já, à cooperação, ao sentido de responsabilidade, e à colaboração entre todos”. Recordou que a Assembleia Municipal é “a casa da democracia de São João da Madeira”, onde deve prevalecer “a escuta do outro, o debate livre, construtivo e responsável, com rigor, isenção e respeito pelas diferenças”.
Ao longo do discurso, reafirmou a importância da urbanidade e da convivência democrática, defendendo que “respeitar o outro é, antes de tudo, respeitar-nos a nós próprios”. E acrescentou que humanizar as decisões públicas passa por colocar as pessoas no centro das políticas.
Na primeira intervenção como presidente da Assembleia Municipal, concluiu com um compromisso político claro – exercer o cargo com “motivação, empenho e responsabilidade” para que o desenvolvimento do concelho se reflita na qualidade de vida dos cidadãos. “Contem comigo… como eu conto com cada um de vós”, rematou, afirmando que São João da Madeira “merece mais e melhor”.

Gonçalo Fernandes. “A democracia constrói-se com continuidade e com alternância”

Gonçalo Fernandes

O novo ciclo político em São João da Madeira abriu com um apelo ao diálogo e à responsabilidade, numa intervenção em que Gonçalo Fernandes, da bancada do PSD, sublinhou que “a democracia constrói-se com continuidade e com alternância”. O autarca recordou que no passado dia 12 de outubro, os Sanjoanenses foram chamados a decidir o seu futuro. “E falaram, onde mais importa, nas urnas, afirmando o seu desejo de mudança e confiando na AD – A Melhor Cidade do País para liderar os destinos da nossa cidade nos próximos 4 anos”. Destacou “a forma civilizada e participada com que engrandeceram este ato eleitoral”.
Ao analisar o novo mandato, Fernandes assinalou o fim de oito anos de governação socialista e frisou que o PSD procurou, durante esse período, uma postura “positiva e construtiva”. Admitiu divergências, mas garantiu que foram marcadas pelo respeito institucional, deixando “uma palavra de reconhecimento e de consideração pessoal” ao executivo cessante e afirmando estar certo de que fizeram “o melhor que puderam e o melhor que souberam por São João da Madeira”.
O deputado referiu que “há feridas que continuam bem vivas nos Sanjoanenses” e “erros que continuam a custar caro”, explicando o entendimento estabelecido entre AD e PS para assegurar um início de mandato estável. Classificou o acordo como um compromisso que “não apaga diferenças, mas que valoriza convergências”, permitindo “o respeito institucional” e a eleição de Cristina Vila Verde para presidente da Assembleia Municipal – “cumprirá o seu papel com rigor e com a independência que tão bem a caracterizam”, afirmou.
Na perspetiva do PSD, a cooperação entre os dois maiores partidos reforça “o espírito de diálogo” e coloca o “superior interesse dos Sanjoanenses” acima de qualquer cálculo político. A AD assume o mandato com o objetivo de transformar o concelho, mas “com a humildade de quem sabe que só com diálogo se constrói a cidade que todos queremos”.
A intervenção terminou com a defesa de um projeto coletivo que una instituições, empresas, associações e cidadãos. “Porque o São João da Madeira não é de quem governa, São João da Madeira é dos Sanjoanenses, São João da Madeira é de todos nós”. A fechar, citou João da Silva Correia – “São João da Madeira é uma cidade que se faz a si própria, com o engenho e a coragem dos seus”.

Manuela Silva: “O Chega estará na Assembleia a trabalhar com seriedade dedicação e espírito construtivo”

Manuela Silva

A estreia do Chega na Assembleia Municipal de São João da Madeira ficou marcada pela intervenção de Manuela Silva, que assumiu funções de deputada na primeira representação do partido no órgão autárquico. A eleita declarou ser “com profundo sentido da responsabilidade, humildade e orgulho que hoje o Partido chega assume o compromisso de representar e defender os interesses dos sanjoanenses e de São João da Madeira, nesta nova Casa da Democracia”.
No início do discurso, agradeceu o apoio recebido – “a todos os que confiaram em nós e no nosso projeto, através do seu voto, expressamos os nossos sinceros agradecimentos. A vossa confiança é a força que nos move”.
A deputada reafirmou o propósito político da estrutura local, sublinhando que “o Grupo Municipal do Chega reafirma o seu compromisso, trabalho com empenho, transparência e sentido de dever público, colocando sempre os sanjoanenses e São João da Madeira em primeiro lugar”.
Numa parte mais crítica da intervenção, sustentou que “o Chega, não traz desequilíbrio. Traz sim justiça e, coloca fim, a algum partidarismo”. Garantiu ainda que, nos próximos quatro anos, o partido estará na Assembleia Municipal “a trabalhar com seriedade dedicação e espírito construtivo”, contribuindo para políticas que promovam o “desenvolvimento e a justiça social e a qualidade de vida de todos os estrangeiros”.
A deputada assegurou que o Chega pretende ser “uma voz ativa e firme”, disponível para apoiar medidas que sirvam o “bem-comum”, mas também para “discordar sempre que os interesses dos sanjoanenses assim o exijam”. Indicou que a atuação política será orientada por “um princípio inabalável, o da justiça, em defesa da verdade, da liberdade e de um futuro, de um conselho melhor”, enfatizou.

António Falcão: CDS reforça compromisso com a AD e defende cidade “mais forte”

António Falcão

O CDS–Partido Popular regressou à Assembleia Municipal de São João da Madeira com grupo próprio, duas décadas depois, integrando também uma representante da Juventude Popular, Ana Rita Reis. Para o partido, este regresso simboliza um reforço do “compromisso” com a cidade e com os mais jovens. Na sessão, António Falcão afirmou que o CDS reafirma um “princípio simples, mas essencial, juntos somos mais fortes”.
O dirigente destacou a coligação entre PSD e CDS no âmbito da Aliança Democrática, que descreveu como “a união de duas forças que partilham valores, visão, amor e uma nova ambição por São João da Madeira”. Sustentou que “caminharemos lado a lado, com espírito de equipa e responsabilidade, porque o que nos une é maior do que o que nos separa”, acrescentando que “o nosso compromisso é com as pessoas e com o futuro desta cidade”.
Falcão defendeu que os desafios económicos, sociais e ambientais exigem “cooperação, diálogo e soluções conjuntas”, frisando que o objetivo da AD passa por “trabalhar juntos, com rigor, proximidade e visão estratégica”. Resumiu essa orientação na ideia de que “a sustentabilidade é o caminho da responsabilidade, é garantir que cada decisão de hoje protege a qualidade de vida de amanhã”.
O dirigente afirmou que a estratégia municipal deve apoiar os jovens e valorizar os mais velhos, e sublinhou que o CDS será “uma voz de proximidade e de sensatez”, assente na “ética da responsabilidade”. Realçou também o papel económico do concelho, proclamando que “São João da Madeira é uma cidade de indústria e de criatividade, é o símbolo de um Portugal que trabalha, inventa e exporta”.
Falcão notou ainda que “os imigrantes que encontraram em São João da Madeira uma nova casa são parte integrante da nossa comunidade”, tal como os emigrantes que permanecem ligados à identidade local.
Na parte final da intervenção, proclamou que CDS e PSD trabalharão “com humildade, ambição e coragem”, defendendo que “a força da Aliança Democrática está na cooperação e na diversidade”. A conjugação entre “conhecimento e experiência, juventude e maturidade, tradição e inovação” permitirá, afirmou, construir “uma cidade mais forte, mais sustentável e mais humana”. Concluiu garantindo que o partido seguirá “lado a lado, a construir ‘A Melhor Cidade do País”.

Irene Guimarães: “PS garante oposição firme, responsável e construtiva”

Irene Guimarães

A antiga vereadora da Educação, Irene Guimarães, abriu a intervenção do Partido Socialista (PS) na primeira sessão da Assembleia Municipal afirmando que os Sanjoanenses mostraram, nestes resultados eleitorais, que “querem equilíbrio e cooperação”. A deputada socialista destacou que a cidade “confiou a governação da Câmara a uma força política” e atribuiu às restantes o “dever de escrutínio e de participação ativa”, sublinhando que “não é um sinal de divisão: os eleitores mostraram que querem partilhar responsabilidades”. Acrescentou que “não nos pediram unanimidade – pediram seriedade. Pediram diálogo” e que “não nos pediram que fôssemos iguais – pediram que soubéssemos trabalhar juntos”.
Guimarães explicou que esse entendimento sustentou o acordo entre PS e Aliança Democrática que permitiu a instalação dos órgãos autárquicos, decisão tomada “com responsabilidade e com serenidade, no pleno respeito pelo voto dos Sanjoanenses, assegurando estabilidade institucional e o início responsável do mandato”. Afirmou que “a democracia local exige a construção de pontes – não muros. Exige cooperação – não bloqueio”, mas clarificou o posicionamento político ao afirmar que o PS “será oposição”.
A deputada garantiu que o PS “fiscalizaremos, questionaremos e apresentaremos propostas – sempre, SEMPRE, com a cidade como prioridade”, defendendo que “a oposição não será entendida como obstáculo: será, sim, a garantia de transparência e de qualidade democrática”.
Na sessão, o PS comprometeu-se a promover o diálogo e a defender o interesse público, valorizando “uma cidade mais justa, mais inclusiva, mais solidária, mais desenvolvida, mais atrativa”. A bancada afirmou ainda que pretende contribuir para que São João da Madeira permaneça “um espaço de oportunidades – onde todos e todas se façam ouvir, onde ninguém fique para trás e onde as pessoas sintam que contam, que fazem parte”.


Mesa da Assembleia Municipal eleita com 21 votos a favor e 1 em branco

A Assembleia Municipal de S. João da Madeira reuniu a 2 de novembro de 2025 para eleger a Mesa, após a instalação dos órgãos municipais. A proposta apresentada pela AD, com concordância do PS, indicou Maria Cristina Vila Verde para presidente, Lília Laranjeira para 1.ª secretária e Pedro Fernandes para 2.º secretário. A eleição realizou-se por escrutínio secreto, com 22 votantes, e cada cargo obteve 21 votos a favor e 1 voto em branco. Após a votação, intervieram representantes do Chega, CDS-PP, PS e PSD, ficando as intervenções registadas em ata.

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