Política

Assembleia Municipal aprova Moção de Consenso sobre a Linha do Vouga

• Favoritos: 105


O ponto 3.4 da ordem de trabalhos acabaria por ser o mais discutido na última Assembleia Municipal, que se referia à apreciação e votação da “Moção sobre a Linha do Vouga”, apresentada pela Coligação A Melhor Cidade do País (MCP)

Coube a Gonçalo Fernandes da Coligação “A Melhor Cidade do País” apresentar a Moção, a 5 dias do fim do prazo de consulta pública do Plano Nacional Rodoviário, porque “a coligação entendeu” que os deputados dos vários partidos a “deviam debater”.
A primeira questão que quiseram ver esclarecida foi a “viabilidade da ligação direta ao Porto”, possibilidade que “independentemente do que cada um defenda”, e de “demorar mais tempo a construir e ser mais dispendiosa”, é “tecnicamente viável”.
Para o Social Democrata não basta “melhorar estações, garantir uma bilhética moderna, adquirir comboios confortáveis e assegurar o cumprimento de horários”, uma vez que os sanjoanenses “não optarão pelo comboio” se ele não “aumentar a frequência, a velocidade e garantir uma viagem confortável”. A mudança de comboio em Espinho vai “aumentar a duração da viagem”, situação que para a coligação vai fazer com que os sanjoanenses continuem a “não usar o comboio”. A somar a estas razões mais acrescentou que o dinheiro que está previsto no PNI 2030 “pode ser aplicado em ambas as soluções”, (mais discutidas) uma vez que “não há nenhum projeto pronto para lançar a concurso”, e, desse modo, não se estaria a atrasar “o lançamento de nenhuma obra”.
Assegurou que a posição que tomaram com a Moção foi a “pensar nos milhares de cidadãos que não têm maneira de se deslocar” à capital da área metropolitana de forma “económica”, assim como nos “milhares de carros e nos autocarros”, com o mesmo destino, salientando que esta solução seria um “canal ferroviário ambientalmente sustentável”. “Tenho a convicção de que defender a ligação direta ao Porto se trata de estar do lado certo da história”, acabou por concluir.
“Temos a convicção que a solução da moção que é apresentada aqui pelo PSD é menos boa para a região em que nos inserimos, do que aquela que já está em curso”, referiu Rita Mendes, demonstrando a posição da CDU, alertando também para o facto de a ser levado a cabo esta solução resultaria no “encerramento da linha por muito tempo”, além de “ser menos competitiva a nível de percurso do que a solução da rodovia”. A deputada lembrou que foi a CDU que propôs uma comissão para se debater este assunto, e que além da ligação ao Porto também defendem a “ligação a Aveiro”. “A Linha do Vouga foi criada para servir uma mobilidade regional”, rebateu, contrariamente à tese da ligação direta.
“A Linha do Vouga é um recurso estruturante para a Região”, demarcou a deputada bloquista Eva Braga, lembrando que esta “é uma das regiões com maior peso na economia do país”, onde habitam “mais de 300 mil habitantes”. Não obstante, afirmou que esta via férrea é também um recurso que “está desperdiçado”, e que defendem que se deva recomendar ao governo “a requalificação e modernização” da Linha, “sem transbordo”, “entre Espinho e Aveiro”, que inclua ligação “à linha do Norte”, e ainda “instar o governo a concretizar a implementação do sistema Andante, conforme aprovado na Assembleia da República”.
Leonardo Martins dividiu o ponto de vista do PS em 3 tópicos: “o estado a que linha chegou”; “o que está agora a ser feito e previsto para a Linha do Vouga”, e o ponto relativo “à moção”. Segundo o socialista, o governo PS iniciou a requalificação da Linha que “está em curso até 2025”, e que foi, mais precisamente, o governo de António Costa, com o ministro Pedro Nuno Santos, que “desenvolveram” o Plano Ferroviário Nacional para “reafirmar a relevância estratégica do caminho-de-ferro”. Para o autarca este plano traz “grandes novidades” para a região, uma vez que “o governo” o inseriu no PNI, com um valor de “100 milhões de euros”, o que a seu ver é positivo pois “pela primeira vez há investimento - o Portugal 2030”. Lembrou a conferência realizada pelo Município de SJM, no passado dia 22 de fevereiro, onde representantes da CP e da IP explicaram o que “está previsto pelo governo para a Linha”, assim como a sua “requalificação”, criação de “mais apeadeiros em SJM”, ou “introdução do Andante(…)”. Aproveitou ainda para elogiar os autarcas que presidem às Câmaras Municipais dos seis Municípios de Terras de Santa Maria que a seu ver “têm agido em uníssono, e independentemente da cor partidária”.
Relativamente à moção apresentada pela Coligação, Leonardo Martins considerou que esta precisava de ser “melhorada e aprofundada”. “Temos de ser ambiciosos e exigir que as soluções sejam devidamente estudadas e projetadas”, ao contrário de se “vincular ao Município uma solução técnica que pode depois não ser viável”, e que poderá “inviabilizar um investimento de 100 milhões”. O PS afirmou-se como “a favor” de uma ligação ao Porto “rápida, competitiva com o meio rodoviário, exequível e boa para os sanjoanenses”, e “se for direta melhor”, todavia deixaram a questão “no ar”, “e se existirem outras soluções mais rápidas”? o tempo nos meios de transporte é tudo”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa de 2 de março ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

105 Recomendações
442 visualizações
bookmark icon