
Serpins. Ali para o lado da Lousã, aldeias de xisto, rio Ceira, afluente do Mondego... Geograficamente estamos esclarecidos!?
Parque de campismo, piscina... não podia deixar de ser. Eu, todo babado, a observar o meu pequenote com três anos a nadar de um lado para o outro. Do outro lado da piscina, alguém também observava, orgulhoso, o seu rebento com cerca de oito ou nove anos, a nadar com um excelente nível. Descobri que se chamava Antoni e era polaco. Rápido nos conhecemos. Que convívio familiar! Todos em redor de uma garrafa de vinho do Porto, como não podia deixar de ser! Ficamos a conhecer o resto da família: o casal e a filha, a cunhada e as suas duas gémeas! Trocamos ideias e sugestões que pudessem visitar em Portugal. Como estavam perto de Coimbra, a sugestão recaiu em visitarem a Universidade mais antiga de Portugal, assim como uma visita ao Portugal dos Pequenitos. Para além disso, o Antoni trazia como objectivo ir visitar a cidade berço da nossa nação, Guimarães! Despedimo-nos com o convite de nos visitar em São João da Madeira antes de regressarem à Polónia.
E aconteceu mesmo! Marcamos encontro junto à estátua do Papa... e lá nos encontramos. Antoni é fabricante de sinos e já faz parte da quarta geração. Magda é professora de inglês. O Antoni é uma pessoa fantástica, com um sentido prático, sem receios e com uma vontade enorme de nos conhecer, de beber da nossa cultura, para além dos nossos vinhos! Provou o bacalhau assado com batatas a murro e até aprendeu a jogar sueca. Lembro-me desse agosto! O verão em nada nos ajudou... Fomos à Serra da Freita e quase tínhamos que usar lanternas para nos vermos uns aos outros tal era o nevoeiro!!! Estiveram três dias em nossa casa! Aquando da partida, o convite para que os visitássemos na Polónia, foi fortíssimo.
Nos meses e anos seguintes, Antoni e Magda redobravam a vontade de que a nossa visita fosse uma realidade. Como prova da enorme e forte amizade, Antoni ofereceu-nos um maravilhoso sino que está exposto no hall de entrada da nossa casa. Tem um som fantástico! Antoni e Magda tem mais uma menina. Ao longo dos anos, e à distância, vamos vivendo as suas alegrias. Antoni lá nos vai comunicando, “Construí casa, quando é que vêm?!? Têm casa e carro! Venham!”. Nós tínhamos tudo, e essencialmente, mantinha-se em nós uma forte vontade de irmos à Polónia. Não à Polónia pelo país, mas, já agora também! Mas, o nosso principal objectivo era rever uns amigos que estavam no nosso coração.
Os anos foram passando... O nosso rebento cresceu, formou-se... Naturalmente, que somos uns pais babados. O Pedro e a sua maravilhosa namorada são uns fortes aliados. Juntamos vontades e organizamos, com a ajuda extraordinária do nosso compadre Rui, a nossa viagem à Polónia, após vinte anos! Depois de uma viagem aérea noturna, com direito a um dia de puro turismo em Milão... Que maravilha! Lá chegamos a Varsóvia, e mais concretamente, a Węgrów e a casa do Antoni Kruszewski!!! Fomos recebidos de braços abertos, sentimo-nos como parte daquela fantástica família. Depois de uma breve adaptação... todos a mudar o chip da língua, ali era a extensão da nossa casa. Pela minha cabeça a interrogação do porquê de tantos anos, para que esta visita se realizasse. Além de conhecermos o resto da família, que aconteceu nas refeições, a visita à cidade de Węgrów era diária.
Não vos quero maçar com tudo que nos foi proporcionado visitar. Desde a visita à fábrica de sinos do Antoni Kruszewski, pertença da família há já quatro gerações, com direito a visita guiada pelas diversas etapas da fabricação de um sino. Fomos a Varsóvia, visitar o Castelo Real, onde tivemos a honra de sermos convidados V.I.P. Aqui está instalado o sino produzido pela família de Antoni após a reconstrução do Castelo Real, algumas décadas a seguir à 2ª Guerra Mundial. Este momento foi extremamente importante para o povo polaco. Varsóvia vale a pena! Outra das visitas, que nos emocionou a todos nós foi sem dúvida ao campo de concentração nazi de Treblinka. Só de lembrar doí... Bem, mas as visitas não ficaram por aqui. Outro dos locais que nos foi proporcionado visitar foi a casa onde nasceu Chopin, em Zelazowa Wola. Um lugar idílico! Imaginei-me a ouvir “Nocturne 21”.
A Magda, esposa de Antoni, foi inexcedível como cicerone, para que trouxéssemos do seu país uma imagem positiva. Se trouxemos?! A nossa vontade era ficar... A Polónia não aderiu ao Euro. Eles lá têm as suas razões, pois quanto a nós que sofremos com essa mudança, parecem-me bastante válidas. Nas auto estradas não se paga e o limite de velocidade é de 140 kms/h. Um dos dias bem divertidos foi quando nos convidaram a realizar um passeio de canoagem. Lá nos aventuramos! Três casais, rio abaixo, entre gargalhadas e zig-zag´s, mas chegamos! Tínhamos acabado de fazer doze quilómetros! Nem queríamos acreditar... Uau!!! Fantástico! O nosso pensamento foi para o dia seguinte... Amanhã vamos estar todos partidos, não?! Mas tal não aconteceu! Estávamos prontos para outra. Bem, não ficamos por aqui... Jogamos basquetebol, ténis com alguns jovens de Węgrów que queriam que ficássemos lá mais tempo...
Visitamos recantos e descobrimos tesouros desta cidade que trouxemos no coração. Na gastronomia, descobrimos sabores bem distintos, desde a primeira refeição, onde a sopa de beterraba ficará na memória! Até ao último jantar com a família do Antoni Kruszewski, onde a mesa estava recheada de iguarias típicas da Polónia. Para concluir, só quero dizer-vos de quão importante é esta família do Antoni para a cidade. No centro da cidade tem exposto um sino com a história da sua família. Dá para pensar, não dá?!
Não sabemos se no próximo ano lá estaremos para bater o nosso recorde em canoagem! Mas o mais importante de tudo é ter a enorme amizade desta família que perdura no tempo e guardamos no coração! E que jamais esqueceremos!
Na música, sentem-se e usufruam de Chopin.
Nos livros, a Magda Kruszewska apresentou-nos “O rouxinol”, de Kristin Hannah.
A amizade é como o amor: agarra-nos!
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