Opinião

Vamos para eleições

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Num momento internacionalmente marcado pela guerra, o País assiste pasmado à sucessão de factos que envolvem a pessoa do primeiro-ministro. A vida política fica assim afectada e descredibilizada.
Faltam médicos e professores. Não há casas com rendas viáveis para os salários que muitos recebem. Mais de 3 milhões de trabalhadores vivem com salários de 1 000,00 € ou menos e mais de um milhão de reformados com pensões iguais ou inferiores de 520 €.
Percebe-se uma acelerada degradação do País no plano político, económico e social. Paira uma neblina que encobre a transparência da governação. Reina a suspeita acentuada de haver teias de influência para favorecer interesses privados. O nepotismo e a partidocracia continuam.
Apesar desta barafunda, vamos para eleições. É a única escapatória que a democracia nos apresenta.
Estamos a menos de dois meses do dia do voto. É importante que reflictamos sobre os problemas reais dos portugueses.
Na comunicação social dominante ouve-se uma narrativa sobre a importância da estabilidade governativa. É necessário rumar a discussão para a estabilidade das famílias.
A paz, o pão, o trabalho com direitos, a saúde, a habitação e a educação, que o PCP tanto reclama, não são uma “cassete” como gritou alguém da bancada do PSD quando se discutia a moção de censura.
Os dirigentes da NATO reclamam mais despesas para a guerra. Propõe que se sacrifique o Estado Social para comprar mais armas. Armas que serão empunhadas pelos nossos jovens.
Há 64 anos o ditador Salazar, um dos fundadores da NATO, também ordenou “para Angola e em força”. Durante os anos da guerra, as despesas militares atingiram mais de 40 % em alguns orçamentos de Estado. Uma guerra que durou 13 anos. Após a liberdade conquistada no 25 de Abril, fazemos um balanço profundamente negativo da guerra colonial.
Milhares de mortos, milhares de estropiados, milhares de jovens portugueses no estrangeiro, para fugir à incorporação militar e, com a descolonização feita com 20 anos de atraso, quase um milhão de portugueses regressaram em pânico das colónias, a maioria só com a roupa no corpo.
Os portugueses precisam que as suas condições de vida sejam o alvo principal dos assuntos a discutir na campanha eleitoral. O poder de compra é um factor de grande importância para todos, em particular para os mais pobres.
Os salários baixos e as baixas reformas são coisas que não aceitamos.
A erradicação da pobreza, o combate ao emprego precário, o Serviço Nacional de Saúde, a habitação e a educação, são assuntos da maior importância a tratar na campanha eleitoral.
Será que vai ser possível discutir e saber quais são as propostas dos partidos políticos para a vida dos portugueses?
Será que o ruído da demagogia vai impedir que sejam ouvidos os que têm propostas e lutam pelo bem-estar geral?
Tudo faremos para que tal não aconteça!

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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