Opinião

Três notas

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O País necessita de aumentar a sua produção e distribuir de forma mais justa a riqueza nacional.

- Dia Mundial da Justiça Social

O Movimento Erradicar a Pobreza (MEP) lembra-nos o dia 20 de Fevereiro, instituído pelas Nações Unidas, como o dia Mundial da Justiça Social e alerta-nos para as conclusões do relatório de 2022, com dados de 2021, do Observatório Nacional da “luta contra a pobreza”.
Em 2021, houve um «elevado aumento das desigualdades em Portugal, sendo mesmo, entre os países da UE o que apresentou o maior aumento dos níveis de desigualdades relativamente ao inquérito anterior».
Com o aumento dos preços dos bens essenciais, cresce o risco de pobreza. É dramático que em Portugal, 11% das pessoas empregadas vivam abaixo do limiar de pobreza. Com os preços a aumentar sem serem acompanhados pelos salários e pensões, Portugal terá, em 2022, ainda mais pobreza.
O País necessita de aumentar a sua produção e distribuir de forma mais justa a riqueza nacional.
É urgente que o faça!

- Mais uma fábrica encerrada

De repente fomos surpreendidos com o fecho de mais uma média empresa e 100 postos de trabalho em risco.
Temos assistido ao encerramento, através de processos de insolvência, de diversas industrias quer da fileira do calçado quer de outros sectores. Nos últimos vinte e dois anos observamos um processo de desindustrialização por todo o País e, S. João da Madeira não ficou à margem deste fenómeno. Por cá também se perderam muitos empregos.
Compreendemos que perante as dificuldades, verificando-se a incapacidade de poderem cumprir as suas obrigações, os gerentes requeiram a insolvência, como é a sua obrigação legal, mas é revoltante a sistemática atitude dos administradores de insolvência de se acomodarem a vender o património a preço de saldo, na vez de se esforçarem para viabilizar as empresas e salvar o maior número possível de postos de trabalho - só muito raramente o fazem.
É tempo de mudar!

- O balão

Uma cómica narrativa de um balão-espião mobiliza-nos a comentar.
As notícias da televisão deram-nos conta que os americanos estavam muito stressados. Não por haver um atirador zangado a matar gente, como é costume naquele país, nem pela indignação de mais um assassinato de um «afroamericano» às mãos de polícias brancos, como também acontece frequentemente ali.
Desta vez não era nada disso, era algo inédito, difícil de imaginar num tempo em que a electrónica, os satélites e a inteligência artificial estão na moda. O grande stress era por causa de um balão, que se via a planar suavemente e que os governantes ianques diziam ser um «espião chinês».
Após a notícia bem divulgada e dado o tempo necessário para criar o medo na população, o Presidente Joe Biden mandou que o tal «espião» fosse abatido, por dois caças das forças armadas. Assim caiu o pobre balão sem ter hipótese de dar um grito de dor.
A América é o país que mais espia no mundo. Criou, segundo Edward Snowden, um «sistema global de vigilância em massa». Espia minuciosamente todos os governantes, inclusive os seus aliados. Nós recordamo-nos dos relatórios da espionagem americana, divulgados pelo WikiLeaks de Julian Assange, onde pormenores da vida privada de políticos como Angela Merkel e François Hollande foram descritos com grosseria e mau gosto. Finalmente sabemos, que os gasodutos Nord Stream foram sabotados pela Marinha Americana.
Para além de trágico, é ridículo que o país que tem cerca de 750 bases militares, fora do seu território, em mais de 80 países, crie, através da grande comunicação social, um clima de insegurança por causa de um simples balão. Ninguém, minimamente informado e sério, pode acreditar que um país com a capacidade cientifica e tecnológica da China, se quisesse espiar outro, o faria com um pacato balão a voar lentamente nos céus.
A história deste balão faz lembrar a velha canção do Conjunto António Mafra “Eh Zé olha o balão / Eh Zé olha pró ar / Tem cautela que no chão / Há bichas de rabear”.

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