
Oito anos após o início da guerra na Ucrânia e mais de dois meses depois da sua invasão pela Rússia, a guerra continua a escalar e torna-se cada vez mais horrenda, os governantes redobram rivalidades na vez de se focarem na paz, há muitas preocupações para Humanidade - sente-se cada vez mais incertezas no futuro de quem vive do trabalho.
Tirando algumas excepções - como António Guterres, o Papa Francisco, Karl Nehammer, Xi Jinping, Erdogan, e pouco mais – quase todos os intervenientes parecem interessados que a guerra dure vários anos. Não se mostram preocupados que o escalar da mesma chegue ao uso de armas nucleares. Desvalorizam o facto da Rússia (tal como os EUA) ser um dos dois grandes portadores deste armamento. Afirmam que Putin é um ditador, mas não acham que ele vá usar armas atómicas. Por que pensam assim? Em 1945 o Presidente dos EUA, Harry Truman, que era democrata, quando viu as suas forças armadas a ter um elevado número de baixas, na guerra com o Japão, decidiu bombardear com bombas atómicas de grande potência, as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki. O que leva os responsáveis de vários países a pensar que Putin não fará algo parecido?
Oxalá me engane!
Os que discordam da NATO e preconizam o estabelecido o n.º 2 do art.º 7º da Constituição da República, a «dissolução dos blocos político-militares», estão a ser alvo de ataques que lembram o tempo que antecedeu os assaltos e incêndios às sedes do PCP, em 1975, quando a TV, vários meios de comunicação social, vários políticos «democratas» e alguns clérigos salazaristas, incentivaram, com discursos de ódio, esses actos de violência. Quando o debate escala e abafa os que pensam de modo diferente do Poder, a democracia perde.
Também por cá, na nossa cidade, há quem aposte nesse sentido. Recentemente vimos, noutro jornal, um pessegudo PCPólogo, com mentiras e invenções, tentando diminuir o papel dos comunistas na luta contra a ditadura, afirmando que o PCP não «foi a grande força oposicionista». Contudo, não explica, por que razão, a maioria dos presos políticos, nos registos da PVDE/PIDE/DGS eram comunistas. Mente ao afirmar que os comunistas não apoiaram Norton de Matos e Humberto Delgado. Concretamente, nada sabe sobre a vitória do Humberto Delgado em S. João da Madeira. Fala em movimentos legais da resistência, como o MUD e o MND, ignorando que o PCP foi o seu principal dinamizador. Mostra como a ignorância é atrevida quando inclui a UEC (União dos Estudantes Comunistas) nos partidos de «extrema-esquerda» que ele tanto gostava. A UEC não era de «extrema-esquerda» nem era um partido. A UEC era parte do PCP.
Outro rancoroso colunista, atirou pedras aos autarcas da CDU de Setúbal, mas ignorou que o executivo actuou com suporte de decisões aprovadas por unanimidade no executivo (CDU, PS e PSD). Insultou e ofendeu o presidente da referida autarquia. Curiosamente, há um punhado de autarquias presididas pelas outras forças políticas, PS e PSD, com iguais procedimentos, mas sobre estes casos fica caladinho como um rato.
Os nossos governantes, na vez de se focarem na defesa da paz, apostam na continuação da guerra. Em Portugal as reformas e os salários são muito baixos, o movimento de emigração de jovens, para a Suíça, Alemanha, França, Reino Unido, etc. continua sem nada ser feito para inverter este fenómeno. Não há dinheiro para melhorar a vida das populações e investir no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas há dinheiro para comprar armas e mandar para a Ucrânia.
Fantástico!
O Orçamento Geral do Estado, que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa prometia estar pronto em Fevereiro, não aponta as soluções concretas e necessárias para resolver os problemas nas áreas da electricidade, dos combustíveis e do gás. Não estimula a soberania alimentar - melhorando a produção de cereais, a cadeia agro-alimentar, a produção agrícola, as pescas, etc. Não direcciona o País para a dignificação dos salários e das pensões. É insuficiente na promoção da habitação. Não acode à situação do SNS - hoje com muito menos médicos de família do que tinha em 2018. Também não apresenta soluções para melhorar a escola pública, tão maltratada pelos governos dos últimos 20 anos.
É uma tristeza, passo a passo, o País é, cada vez mais, afastado do desenvolvimento e da justiça social!
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