
Uma simples palavra despoleta em nós uma viagem ao passado. Passado esse com algumas dezenas de anos. O pirolito... a origem do nome, o seu criador, se pirolito era a garrafa, bem sui generis, ou o conteúdo, uma espécie de gasosa, tipo Seven-Up atual (passe a publicidade). Enfim, questões que na época pouco ou nada me perturbavam.
O pirolito foi para mim, quando criança, uma bebida de que gostávamos. Pudera, era doce! O pirolito era para nós um exercício de criatividade, pois como muitos de vocês se devem lembrar, o pirolito tinha uma bola de vidro que servia de rolha. A criatividade de que vos falo era tentar tirar esse berlinde sem partir a garrafa! O que normalmente acontecia quando se perdia a paciência. Uma das formas para tirarmos a dita bola, ou berlinde, era enfiarmos no gargalo um fio de corda tentando envolver o berlinde e puxarmos. Umas vezes resultava outras não... Estou a falar destas coisas também para vos aguçar a vossa memória.
Desde esses tempos tive sempre um pirolito com bola que me acompanhou durante vários anos. Vem-me há memória o filme “Os deuses devem estar loucos”... Essa garrafa oferecia a um casal francês que me visitou na minha casa em Vale de Cambra. É um hábito que nós temos cá em casa quando alguém nos visita. Para além da nossa hospitalidade, oferecemos-lhes sempre algo para que nos recordem. Viajando ainda lá para trás, recordo-me de um bom amigo, que infelizmente cedo nos deixou... falo-vos do arquiteto José Manuel Bastos, pessoa de trato fácil. Com ele falei sobre o pirolito e, na altura, ele disse-me que tinha alguns exemplares dos pirolitos. Até fiquei com a ideia de que o fabrico dos pirolitos estava ligado à sua família.
Passados tantos anos, e para que não caísse em erros, contatei o irmão do José Manuel, o senhor César Augusto. Pessoa que nos cumprimenta de forma afável, pessoa que admiramos, não só pelo seu trato, mas também pelas suas crónicas neste jornal. O senhor César Augusto elucidou-me para além do que verdadeiramente eu pretendia quando me lembrei de falar sobre o pirolito. Fiquei solidário com o esforço que ele teve nos anos oitenta ao escrever no Regional sobre o pirolito... Senhores jornalistas ainda vão a tempo de recuperar tão valioso espólio histórico de S. João da Madeira: o pirolito!
Nas músicas, Avishai Cohen Trio. Bom jazz!!!
Nos livros, ”O país do Carnaval”, de Jorge Amado.
Vamos recuperar os pirolitos... Os jovens de hoje iam gostar.
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