Opinião

Para verem as marchas passar

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Em pleno Verão, as árvores da Avenida da Liberdade foram sujeitas a atrocidades jamais vistas em qualquer parque arbóreo.
Se não é caso de polícia, é de justificada denúncia por constituir um crime de lesa-património.
Após o caso da queda de um ramo de árvore que provocou três feridos na Escola dos Ribeiros, reportagem de O Regional, sob o impacto emocional, recolheu desabafos de uns munícipes, moradores na Av. Liberdade, que desancavam nas árvores, contrariados pela voz do sensato Alberto Costa, “Betinho” (ex-basquetebolista), também ele ali morador.
Acto contínuo e na véspera do desfile das marchas do S. João da Ponte, funcionários municipais, de serrotes em punho, aniquilaram as frondosas copas das árvores que ladeiam aquela artéria. Segundo um, “para os moradores verem as marchas”. Um outro “para dar sol nas casas”.
Celestino Pinheiro, o “nosso hortelão”, terá uma palavra a dizer. Ou o caso motivará, quiçá, uma das suas crónicas.
Se há coisa de que, actualmente, S. João da Madeira se pode orgulhar é do seu privilegiado parque arbóreo, das extensas zonas verdes, dos parques que continuam em expansão.
S. João da Madeira, desde há vinte anos, deixou de ser uma cidade incaracterística, de apenas betão, cinzenta, para passar a ser uma cidade verde, tendo invejáveis avenidas frondosas.
Justiça seja feita, neste âmbito, a Manuel Cambra.
“As árvores e as flores são elementos distintivos da paisagem urbana de S. João da Madeira”, declara a Câmara Municipal de S. João da Madeira. Que assim sejam. Que se cuide racionalmente da manutenção das mesmas.
E às impulsivas críticas de uns poucos, é oportuno lembrar(-lhes) a enorme importância da árvore, pelo que me sirvo das palavras da conscienciosa munícipe Ana Albuquerque Barata: ”... o papel fulcral que as árvores têm na mitigação às alterações climáticas, sem falar nos efeitos mais imediatos e visíveis, como o restauro dos ecossistemas.”
A árvore, ser primordial na vida do homem. No seu trato, exigível mais sensibilidade aos responsáveis dos serviços municipais.

Nota da Redação: Por decisão pessoal, o autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.
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