Opinião

Para além das contas certas

• Favoritos: 146


O Instituto Nacional de Estatística anunciou que o saldo das contas públicas apresenta um excedente de quase 3.200 milhões de euros, confirmando a opção politica do governo cessante de apostar nos cofres cheios, em detrimento de medidas mais importantes na vida dos portugueses.
Este excedente, apresentado como algo altamente positivo da governação de António Costa, tem o reverso da medalha. Não foram resolvidos problemas importantes para a vida das pessoas, apesar de haver dinheiro. Houve investimentos urgentes que ficaram para trás - na saúde, na educação, na segurança etc.- e, por outro lado, o trabalho na Administração Pública não foi valorizado. Tornou-se menos atractivo, aumentando a falta de profissionais - médicos, professores, auxiliares e outros.
Os nossos governantes não quiseram entender que de pouco servem as contas certas, quando as pessoas não conseguem fazer face ao aumento do custo de vida. Será que alguém, a viver com dificuldades, vai ficar feliz ao saber que os cofres do Estado estão cheios?
O excedente histórico, assim designado por ser o maior dos últimos 50 anos, é resultado do desinvestimento nas pessoas e nos serviços públicos. A divulgação deste montante vem dar razão às forças politicas à esquerda do PS quando no final de 2021 votaram contra a proposta de Orçamento de Estado. Um Orçamento que o Governo defendeu de forma intransigente, sem ouvir as propostas desses partidos. Afinal havia margem financeira para não negligenciarem o SNS e outros serviços públicos, assim como para negociar com os professores e com os médicos.
Não resolver os problemas muito sentidos pela população - como os baixos salários e pensões, as insuficiências dos serviços Públicos, o SNS, a escola pública, as creches, a mobilidade e outros - acrescentar os casos e casinhos do Governo mais o mediatismo dos crimes de colarinho branco, criou o caldo perfeito para o crescimento da extrema-direita. O PS, pela postura que adoptou após as eleições legislativas de 6 de Outubro de 2019, incluindo na discussão do Orçamento para 2022, tem muita responsabilidade no crescimento daquelas forças políticas.
Por outro lado, tem sido doloroso para muitas famílias portuguesas a subida das taxas de juro. Uma decisão que é da responsabilidade dos burocratas de Bruxelas que não foram sujeitos ao escrutínio dos cidadãos. A associação desta medida à inflação, tornou a vida dos portugueses ainda mais difícil e, paradoxalmente, trouxe para os bancos, inclusive à CGD, lucros obscenos. Em 2023 os lucros dos bancos foram fortemente beneficiados pelas altas taxas de juro nos empréstimos e pela baixa retribuição dos depósitos.
É absolutamente necessário que os bancos, tão ajudados no passado recente pelo Estado, sejam chamados a contribuir. É a vida de muitas famílias que está em causa. Contudo, se o PS, com a sua maioria absoluta, não o fez, é de duvidar que a nova maioria absoluta da direita o faça. Aliás, os donos disto tudo, já começaram a marcar terreno e a pressionar. Um dos exemplos foi Cláudia Azevedo, a Senhora da Sonae, que com um sorrisinho nos lábios, afirma que «há um grito de mudança» e reclama contra a carga fiscal.
A conflitualidade social parece crescer. A democracia não se restringe ao parlamento. Os cidadãos têm, de acordo com a lei, diversas formas de lutar por uma vida melhor. Estou convencido que os trabalhadores vão reagir à ausência de soluções. Estranharei se não o fizerem.
Por fim, vamos ver, de que forma votarão todos os que se afirmam de oposição. Cá estaremos para constatar se o farão de acordo ou ao contrário ao que proclamam defender!

146 Recomendações
515 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

Preço Combustíveis

tempo