
Duas vidas. A tua e a minha. Duas vidas como dois regatos. Cada uma com a sua própria água e a sua própria corrente.
Um buscando sedente a água do outro, como se a própria água não pudesse acalmar a nossa sede pessoal.
Um dia. Um dia como qualquer outro dia, por uma dessas coisas simples da vida, vimo-nos, encontrámo-nos e sentimos que não éramos estranhos. Sentimos que entre os dois havia um não sem quê de idêntico e distinto que nos atraía e unia. Era esse “não-sei-quê” que nós chamamos amor. E que melhor se diria que era esse algo vital e existencial que se chama vocação. A nossa vocação comum de ser casal.
A partir desse dia, começou a despertar entre os dois essa afinidade que em muitos momentos nos fazia sentir estranhos a todos os outros. Foi casualidade?
Até nós mesmos chegamos a falar dessa tal casualidade…
Nem faltou quem imaginasse que tudo aquilo não passava do sonho de uma linda noite de verão. Na realidade, aquilo não foi nem casualidade nem nada disso que dizem ser coisas do destino. Mão invisível ia guiando as nossas vidas e unindo as nossas duas mãos, a tua e a minha. Era a mão de Deus que tece a história de cada vida e também a história das nossas duas vidas. Desse dia em diante, já não somos duas histórias nem dois regatos errantes, mas uma só história, a história de nós os dois. (do livro “Palavras como setas”)
A nossa história de vida em casal, hoje, já não é a história do eu e o tu, mas sim a história de Nós os dois.
O amor vivido na Família e as palavras do Papa Francisco: “O fim unitivo do matrimónio é um apelo constante a crescer e a profundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Nesse amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida. (…) A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os membros desde os pequeninos aos idosos, são apenas alguns dos frutos que tornam única e insubstituível resposta à vocação da família, tanto para a Igreja como para toda a sociedade” (do seu livro “A alegria do Amor”)
Nota: Os dois textos que vos trago hoje, são temas de teor recíproco os quais falam e contemplam com seriedade a grandeza da instituição que é a Família, em todas as suas vertentes pessoais e sociais. Obrigado.
UM BOM ANO!
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