
“Comentariado” é uma palavra que surge cada vez com maior relevância no glossário da TV. Quando vemos a transmissão de um jogo, para além das imagens e do “relatador”, temos, durante todo o tempo, um ou mais comentadores que nos induzem o seu ponto de vista sobre os lances.
– É fora de jogo! É penálti! É falta!
Mas não só, para além de nos darem a sua visão do que vai ocorrendo dentro das quatro linhas, também nos influenciam, ou tentam influenciar, com as suas «leituras de jogo». Dizem, com grande sapiência, como deviam jogar as equipas oponentes. Os nossos comentadores, são autênticos treinadores de bancada. Falam com se nós fossemos muito tapadinhos e, apesar de estarmos a ver o jogo, não percebemos nada de bola. Eles pensam que precisamos que nos expliquem o que estamos a ver, como se fossemos azémolas.
Eu quando vejo jogos na TV, desligo o som. A televisão muda é muito mais agradável. Podem crer!
Os noticiários, e outros espaços informativos, estão carregadas de comentadores. Para uma notícia de 30 segundos temos um comentário de meia-hora. Com poucas excepções, eles manipulam, deturpam e promovem as narrativas, conforme as agendas a que estão vinculados. Muitas vezes, após alcançarem o “patamar maior” da mediatização, vão ocupar cargos importantes.
A presença de comunistas na TV é um acontecimento raro, mas como estamos em campanha eleitoral, parecia mal à TV ignorar o PCP e o PEV. É por isso que João Oliveira (JO), cabeça de lista da CDU, tem aparecido nos debates.
Tenho acompanhado alguns e, independentemente de se gostar ou não, é incontestável que o meu candidato se tem destacado pela seriedade, pela coerência e pela defesa dos interesses de Portugal na União Europeia.
JO, com bastante brilhantismo, tem chamado à atenção para os efeitos negativos do Euro na nossa economia, nestes 23 anos da sua vigência. E tem mostrado com dados oficiais, a quebra da nossa produção industrial, das nossas pescas e da nossa agricultura. Por outro lado, com toda a razão do mundo, tem alertado para as consequências, actuais e futuras, do défice da balança comercial agro-alimentar, que cada vez se agrava mais.
É pena que, na «caixa que mudou o mundo», de pouco serve o empenho, a coragem e o rigor. Quanto melhor JO se apresenta, mais se enraivecem os donos da dita, para abafarem, subestimarem e deturparem.
A má distribuição da riqueza, para o “comentariado” televisivo, sentado em cadeiras fofas, não interessa. O aumento de salários, ao longo destes anos todos, sempre abaixo do aumento da produtividade, é irrelevante.
Sempre que JO alerta para medidas gravosas ao nosso crescimento, que a União Europeia adopta, ou pretende adoptar, logo aparece um pelotão de comentadores para impedir a discussão do que ele diz e omitir, desvalorizar ou ostracizar as ideias que expõe.
Mas afinal:
– Porque nos atrasamos tanto, nos últimos 23 anos, relativamente à generalidade dos países europeus?
– Porque fomos ultrapassados por vários países?
- Porque havemos de não questionar as regras e as opções da União Europeia?
– Porque havemos nós, um país pobre, com tantas dificuldades, de mandar tantos de milhões de euros para o estrangeiro, para serem gastos em armas numa guerra que só se pode resolver com a diplomacia?
Estas e outras questões são coisas que os comentadores não querem discutir e se limitam a afastar de qualquer debate. Hipocritamente, contrabalançam com elogios, à «esquerda» submissa. Uma «esquerda», com discursos embalados em papel verde, aberta ao militarismo, ao armamentismo, ao federalismo, e às delicias do grande capital financeiro.
Assim vai o nosso Portugal, 50 anos depois do 25 de Abril!
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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