Opinião

O Vouguinha: do zero aos 100

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Esta é, por isso, a história do Vouguinha que foi do zero aos 100. Isto é, dos zero cêntimos do Secretário de Estado Manuel Castro Almeida no PT2020 aos 100 milhões de euros do Ministro Pedro Nuno Santos no PT2030.

Começo por uma palavra de agradecimento a José António Pais Vieira pela boa oportunidade de debate público sobre a ferrovia e as várias soluções na mesa para o desenvolvimento da nossa terra. Este é, desde logo, o primeiro sinal de que os tempos de desinvestimento, falta de visão e escassez de fundos comunitários para S. João da Madeira já lá vão e que, felizmente, hoje, o debate é sobre investimento e não austeridade.
Aliás, como é público e notório, o nosso Vouguinha é uma boa metáfora da ferrovia do passado e uma vítima exemplar do programa de austeridade da PàF (coligação PSD/CDS) que até 2015, por opção política, não registou um cêntimo de investimento no PT2020. Concordando com Pais Vieira quando refere que S. João da Madeira não deve simpatias “a indivíduos que só têm olhos para a capital”, se os portugueses não mudassem o rumo do país em 2015 ainda hoje a Linha do Vouga estava esquecida.
Esta é, por isso, a história do Vouguinha que foi do zero aos 100. Isto é, dos zero cêntimos do Secretário de Estado Manuel Castro Almeida no PT2020 aos 100 milhões de euros do Ministro Pedro Nuno Santos no PT2030. Com esta verdade dos factos estaria quase tudo dito sobre a “revolução na ferrovia” em curso, não fosse o artigo de opinião de Pais Vieira um contributo muito generoso mas pouco rigoroso.
É generoso porque, não obstante estar já nas últimas estações, entra confortavelmente na carruagem de um debate que agora se faz numa base realista de 100M€ de investimento, através do Plano Ferroviário Nacional (PFN). Mas é pouco rigoroso quando afunila a oportunidade histórica de desenvolvimento regional a uma narrativa passada que não encontra respaldo no presente, e ainda pretende dividir forças. Importa por isso esclarecer os sanjoanenses sobre algumas questões que finalmente levam o nosso Vouguinha do zero aos 100.

Pouco rigoroso
No que une os técnicos especialistas, em qualquer das soluções até agora apresentadas, o Vouguinha vai enfim, com brio e sofisticação, cumprir a sua importante missão de serviço público. Só isso já é motivo de regozijo, em contraponto com o anúncio do encerramento da Linha do Vouga em 2011. Ainda assim, as mais otimistas, até agora estudadas, deixam S. João da Madeira a cerca de 70min do Porto (Campanhã), ao contrário dos 35/40min que escreve Pais Vieira. Acresce ainda pouco rigor quando alimenta a ideia de que desta forma a Linha do Vouga seria competitiva nas deslocações diárias com o meio rodoviário para o Porto.
Estamos de acordo, porém, que este é o tempo e o momento para otimizar soluções e integrar serviços de mobilidade que melhor sirvam os nossos concidadãos e a região. O PFN é, de facto, a primeira grande oportunidade de aposta na ferrovia nacional no século XXI. Precisamos de toda a ambição para exigir que se estudem todas as soluções rápidas e confortáveis, servindo não apenas as retóricas partidárias locais, mas sobretudo as pessoas e o ambiente. É isso que nos move.

Muito generoso
A mobilidade e a descarbonização são duas das grandes causas dos nossos tempos. Honra aos autarcas da nossa região, pela capacidade empreendedora, de diálogo e compromisso entre si e pelas suas gentes. E principalmente ao nosso Presidente Jorge Sequeira, que persiste nesse objetivo, inspirando a uma forma de estar diferente e comigo contará para além da espuma dos dias. O que é indiscutível é que este é mais um investimento de interesse nacional deste governo na sub-região do Entre Douro e Vouga, que tem mobilizado e unido diferentes autarquias, cores e sensibilidades.
Pais Vieira presta um generoso contributo à partidarização local desta causa regional, em contramão com os autarcas, onde me incluo, que constroem consensos supra-partidários com um único interesse: levar o Vouguinha do zero aos 100. É isso que continuaremos a fazer, com todos os que nesta carruagem queiram estar. Porque como diria o Sr. Presidente da Câmara da Feira, “isto já não é um assunto político, é um assunto técnico”.
Em suma, e em resposta direta à pergunta aberta (e indireta) feita por Pais Vieira no seu artigo de opinião: sim, o Partido Socialista vai reincidir no “erro” de voltar a fazer do comboio um meio de progresso para Portugal e de desenvolvimento para S. João da Madeira. É precisamente a reincidir nos “erros” de visão que atrasaram o país na ferrovia que nos orgulhamos de projetar o futuro da nossa terra. Hoje, assim como no passado, do vapor à Alta Velocidade, a ferrovia voltará a ser sinónimo de desenvolvimento nacional e regional. Porque no país e em S. João da Madeira, dos transportes públicos à habitação, entre outros, é o PS a força política mais reformista que continua a entregar desenvolvimento em vez de austeridade, obra em vez de conversa.

* Presidente do PS S. João da Madeira

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