
Vivemos dias muito estranhos que nos levam a pensar que os deuses devem estar loucos.
É muito preocupante para a democracia o que tem ocorrido nalguns espaços da politica nacional como: a pancadaria num ministério; um computador do Estado, com documentos classificados, em casa de um assessor; cercos e esperas a um partido político; deputados a fazer interrogatórios policiais; etc. Assuntos que contribuem para o desprestígio do sistema democrático e que o voyeurismo da TV transforma no centro de tudo e deixa de fora o que é importante para a vida do País e dos seus cidadãos. Assim vai o ambiente social e político, carregado de matéria que faz medrar o populismo.
Recentemente, assistimos na Assembleia da República, a três audições da comissão parlamentar de inquérito à tutela política da gestão da TAP, que são reveladoras da mediocridade política de alguns deputados.
Esta comissão foi criada pela resolução da Assembleia da República n.º 7/2023, de 3 de Fevereiro de 2023, que manda avaliar, a gestão da TAP «em particular no período entre 2020 e 2022», dando prioridade e nomeando os seguintes assuntos:
a) O processo de cooptação, nomeação ou contratação de Alexandra Reis para a administração da TAP SGPS e da TAP, S. A., e dos restantes administradores e os termos da aplicação do respetivo enquadramento jurídico;
b) O processo e a natureza da nomeação de Alexandra Reis para o Conselho de Administração da Navegação Aérea de Portugal, E. P. E. e a eventual conexão com o processo de saída do Conselho de Administração da TAP;
c) O processo de desvinculação de membros dos órgãos sociais da TAP SGPS e da TAP, S. A., e a prática quanto a pagamentos indemnizatórios;
d) As remunerações pagas aos membros dos órgãos sociais da TAP SGPS e da TAP, S. A., nas suas várias componentes;
e) A qualidade da informação prestada ao acionista e o envolvimento dos decisores públicos na tomada de decisão na TAP SGPS e na TAP, S. A.;
f) As decisões de gestão da TAP SGPS e TAP, S. A., que possam ter lesado os interesses da companhia e, logo, o interesse público;
g) As responsabilidades da tutela, quer do Ministério das Finanças quer do Ministério das Infraestruturas, nas decisões tomadas na TAP SGPS e na TAP, S. A.».
Quem como eu teve a paciência de ouvir as audições do assessor, da chefe do gabinete do ministro e do próprio ministro viu que só um deputado, Bruno Dias, se esforçou por debater a TAP, dentro daquilo para que está mandatada a comissão, separando, com honestidade e rigor, o que diz respeito à política do que diz respeito às polícias e aos tribunais. É inaceitável a forma como vários deputados se travestiram de polícias, para fazerem daquela audição um interrogatório policial. Maus polícias, diga-se de passagem, porque no meio daquela contenda que opõe aquelas pessoas, mostraram falta de isenção no modo como conduziam o interrogatório e como comentaram as diversas respostas. Pior, só os comentadores das televisões e, ou, os que nelas trabalham e cuja função deveria ser, informar…
É necessário um debate consequente, comprometido com o futuro da TAP, e não uma agenda politico-mediática que visa sobretudo, facilitar a privatização da TAP. Por trás das tontarias, de quem agrediu e de quem foi agredido, deixemos isto para a policia e para os tribunais e preocupemo-nos com o futuro da TAP!
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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