
– O Regional ao atingir a idade de 104 anos de vida editorial é algo de assombroso na imprensa local em Portugal.
– Teve o seu início em 1922 e desde logo deu a conhecer o que se passava numa região que ainda não era autónoma em termos de concelho. Na verdade somente em 1926 , curiosamente durante a instalação do “Estado Novo” de Salazar, é que O Regional veio a testemunhar, também nesse ano, a emancipação de São João da Madeira relativamente a Oliveira de Azeméis.
– Aliás este concelho viria a assistir à decadência da indústria chapeleira, dando lugar ao desenvolvimento da indústria do calçado. O Regional seguiu todos esses passos e deve ser fascinante passar umas boas horas na Biblioteca Municipal desta cidade a pesquisar a transformação económica e social de São João da Madeira, através das notícias dos jornais locais. Também seria interessante publicar em cada número d’ O Regional da atualidade, uma ou duas páginas desses números passados para que a população compreendesse e aprendesse melhor o passado da sua região. Sem preconceitos, sem traumas porque um jornal com informação localizada acaba sempre por surpreender o leitor com acontecimentos inesperados que até podem ser reinventados para a atualidade.
– Um jornal local acaba por ser o espelho das pessoas que vivem ou viveram nesse concelho.
– Este jornal teve com certeza, ao longo de tantos anos, diferentes critérios editoriais, uns mais neutrais do que outros mas manteve-se sempre activo semanalmente, o que não é tarefa fácil.
– Como só há 30 anos acompanho os seus conteúdos, lembro de ler alguns números antigos na Biblioteca desta cidade e surpreender-me, como foi enaltecida a construção do “ Parque América”. Este volumoso edifício feito antes da elaboração do 1.º Plano Diretor Municipal tinha o intuito de transformar fortemente a silhueta urbana da cidade e ser um sinal de grande desenvolvimento económico para esta cidade . E os sanjoanenses estavam orgulhosos. Mais tarde, quiseram apelidá-la de obra maldita e mesmos os mais ignorantes em matéria de urbanismo pavoneavam-se em certos círculos proclamando a sua demolição.
– Hoje este edifício alberga nos seus espaços comerciais pequenos negócios que foram deslocalizados das ruas adjacentes, sobrevivendo e ajudando à sobrevivência do próprio edifício; este infelizmente ainda se encontra sub- aproveitado nos pisos subterrâneos que dariam um excelente parque de estacionamento para o centro cívico da cidade.
– Na atualidade O Regional é um jornal saudável rigoroso nas suas notícias, resultado de um esforço comum de diferentes personalidades que quiseram que ele se mantivesse no panorama regional.
– Em termos editoriais (como todos os jornais locais) enfrenta uma concorrência desleal e silenciosa face ao alastramento das redes sociais. Estas últimas mais acessíveis a pessoas mais incultas desenvolvem cabeçalhos e frases bombásticas que pouco têm a ver com a informação séria e honesta a prestar aos cidadãos. Sem o querer, O Regional concorre com o “Jornal do crime “ de outrora.
– Para o futuro d’ O Regional ou qualquer outro órgão local de imprensa, não perderia muito tempo em divulgações autárquicas do tipo de “obras que se vão fazer no concelho“... Acho que será mais correto enunciar obras que se encontram já em realização ou concluídas. Até por que os sanjoanenses começam a não achar graça a tanta promessa (!) e mudança de ideias quanto a objetivos sérios para o futuro.
– Ou ter ainda o papel em realçar as necessidades básicas que a cidade tem nos seus mais variados equipamentos culturais e desportivos.
– No fundo, um Regional com ainda mais caráter crítico, vigilante e não pactuante. Para tal serve a “liberdade de expressão”.
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