Opinião

O Mercado Municipal como motor de cidade

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O Mercado Municipal de São João da Madeira atravessa hoje um momento de renovação e expectativa que merece ser sublinhado. O dinamismo que começa agora a ser visível não resulta de um acaso nem de um impulso recente, mas de uma estratégia planeada e executada ao longo dos últimos anos, no âmbito do trabalho desenvolvido pelo executivo municipal cessante, do qual fiz parte enquanto Vice-Presidente da Câmara e responsável pela gestão deste equipamento.
Assumimos uma visão clara para o Mercado Municipal, assente em cinco pilares fundamentais: a reabilitação da infraestrutura, a atração de novos operadores de restauração e serviços, a dinamização cultural, a incorporação de boas práticas ambientais e de economia circular e a modernização digital do mercado.
O primeiro passo foi a reabilitação profunda do edifício, criando melhores condições de conforto, acessibilidade e funcionalidade, tanto para operadores como para clientes. Essa intervenção permitiu reorganizar o mercado em três pisos com funções bem definidas. O piso 0 passou a concentrar o mercado tradicional — hortofrutícolas, peixaria, talho e outros produtos frescos — reforçando a sua centralidade e autenticidade. O piso 1 foi pensado como espaço de restauração e floristas, com o objetivo claro de atrair novos públicos e prolongar os tempos de permanência no mercado. O piso 2 manteve-se inalterado, preservando os operadores de retrosaria e vestuário, que fazem parte da memória e da diversidade do espaço.
Em paralelo, foi desenvolvido um trabalho consistente de captação de novos operadores, cujos resultados começam agora a materializar-se. O histórico “Costa dos Rissóis” ganhou novas instalações, modernas e qualificadas. Um operador dedicado à confeção de leitão encontra-se em obras para se instalar no mercado. Foi adjudicado um espaço para “petiscos” que prepara o início da sua atividade, assim como já abriu um espaço de conceito “sala de chá”. Estes investimentos privados são sinais claros de confiança no futuro do Mercado Municipal e no modelo que foi desenhado.
A estratégia definida para o mercado incluiu também uma forte aposta em boas práticas ambientais e em princípios de economia circular. A promoção do consumo de produtos locais e sazonais, a redução do desperdício alimentar, a valorização de resíduos e a sensibilização para comportamentos ambientalmente responsáveis faziam parte de uma visão de mercado alinhada com os desafios climáticos e sociais do presente e do futuro.
Igualmente relevante foi a preocupação com a modernização digital do Mercado Municipal, através da criação de uma plataforma de vendas e entregas online. Este instrumento permitiria apoiar os operadores, alargar o seu alcance comercial, responder a novos hábitos de consumo e reforçar a proximidade com públicos que, por motivos diversos, não frequentam diariamente o espaço físico do mercado.
A estratégia não se esgotava, contudo, na vertente comercial. Estava prevista uma forte dinamização cultural e gastronómica, aproveitando sinergias com outros equipamentos e projetos estruturantes do concelho, como a Casa da Criatividade, o Museu da Chapelaria, o Museu do Calçado, o Centro de Arte Oliva e o Turismo Industrial. O envolvimento de associações culturais locais, escolas de música e outros agentes criativos permitiria transformar o mercado num verdadeiro espaço de encontro entre cultura, economia local e comunidade.
Nesse contexto, a Câmara Municipal reservou para si, no piso 1, um espaço estratégico que, na visão que defendemos, deveria ser utilizado para showcookings, workshops de culinária e ações de educação alimentar, sempre com recurso aos produtos frescos do próprio mercado e numa lógica de promoção de hábitos de alimentação saudável.
O Mercado Municipal tem todas as condições para ser muito mais do que um local de compra: pode e deve afirmar-se como um polo de vida urbana, de cultura, de sustentabilidade, de inovação e de identidade local. O trabalho de base foi feito. Os sinais de vitalidade que hoje se começam a sentir são fruto desse percurso e desse investimento continuado.
Cabe agora ao novo executivo municipal dar continuidade a esta estratégia, reforçando a dinamização do espaço, concretizando as dimensões ambiental e digital e consolidando o mercado como um ativo central da cidade. São João da Madeira só tem a ganhar com um mercado vivo, moderno, sustentável e participado.
O futuro do Mercado Municipal constrói-se com continuidade, visão e ação. O caminho está traçado — importa agora segui-lo.

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