Opinião

O essencial sobre a azia e a doença do refluxo gastroesofágico

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A azia manifesta-se por uma sensação de ardor que se estende desde a parte superior do estômago até à boca, podendo haver regurgitação com sabor ácido ou amargo.

Há azia sem doença do refluxo gastroesofágico, mas é inevitável haver azia nesta doença. A azia manifesta-se por uma sensação de ardor que se estende desde a parte superior do estômago até à boca, podendo haver regurgitação com sabor ácido ou amargo. Os sintomas da azia são causados por conteúdos de refluxo esofágico, de natureza ácida, no esófago. Trata-se de um problema de saúde que não causa transtorno em pessoas saudáveis, pode estar dentro da classificação das chamadas doenças benignas, tratáveis no curto prazo. O fundamental é identificar as situações que possam ser mais sérias, e aí o farmacêutico pode ter um papel relevante a desempenhar. Como? Ver se a azia desaparece com a toma de antiácidos não prescritos pelo médico, e haverá mesmo indicação farmacêutica para terapêutica não farmacológica: evitar o excesso de peso; evitar comidas abundantes; comer duas a três horas antes de se deitar; evitar os alimentos que possam provocar a acidez, como comidas muito gordurosas ou temperadas, refrigerantes com gás, citrinos e derivados do tomate, por exemplo; deixar de fumar e evitar o exercício intenso, quando este manifestamente piora a azia.
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma doença crónica em que há passagem do conteúdo gástrico para o esófago, faz-se acompanhar de uma sensação de azia, de ardor e pode mesmo deixar um sabor amargo na boca. Há outras manifestações para além da azia, a dor, com a sensação de queimadura na “boca do estômago”, regurgitação amarga, dificuldade em engolir, dor de garganta, entre outros sintomas. Quando não há tratamento atempado, tudo se complica, pode aparecer a esofagite (inflamação do revestimento do esófago), a estenose (redução do calibre do esófago), a úlcera, que se traduz no aparecimento de uma ferida aberta neste órgão. Na maioria dos casos, é uma doença benigna, só raramente tem complicações graves. As medidas farmacológicas competem ao médico e destinam-se a aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões e prevenir as recidivas (repetições), haverá que introduzir mudanças no estilo de vida e tomar medicamentos. Os antiácidos que neutralizam a acidez do estômago, são frequentemente usados no início, mas não atuam sobre a inflamação causada pelo ácido na mucosa do esófago.
A DRGE é uma doença benigna mas pode ser muito incomodativa e causar má qualidade de vida. Em muitos casos, exige uma terapêutica prolongada, até para evitar novas lesões no esófago; na maioria das situações, é facilmente controlável com medicamentos. Compete ao médico prescrever os medicamentos que reduzem a produção do ácido ou que bloqueiam esta produção e cuja utilização permite a cicatrizações das lesões da mucosa esofágica.
É consensualmente aceite que a DRGE é uma patologia subdiagnosticada. No aconselhamento farmacêutico, compete a este profissional de saúde distinguir entre uma situação pontual de uma situação que se repete e que exige diagnóstico. Se durante a entrevista com o doente o farmacêutico apura existirem situações como uma sensação de queimadura e regurgitações que se repetem ao longo do tempo, situações de refluxo que perturbam o sono há bastante tempo, ou situações de alarme, como dificuldade em engolir, expetoração com sangue, uma assinalável perda de peso, torna-se indispensável o encaminhamento para o médico.

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