Opinião

O amor não é um drama - Quando as palavras doem tanto como um estalo

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Os canais de televisão mostraram a cena vezes sem conta, as revistas exploraram o incidente o mais que puderam e nas redes sociais nascia todo o tipo de memes relacionados com o episódio. 

Na última semana, Will Smith foi protagonista de um inusitado episódio de violência na gala dos óscares.
Depois de Chris Rock ter feito uma piada com a cabeça rapada de Jada Smith, Will Smith respondeu-lhe com uma estalada.
Os canais de televisão mostraram a cena vezes sem conta, as revistas exploraram o incidente o mais que puderam e nas redes sociais nascia todo o tipo de memes relacionados com o episódio.
Por instantes, desviamos a atenção da  crueldade Putin, e concentramos-nos na mão de Smith a bater intempestivamente  em Chris Rock.
Todo o Glamour, pompa e circunstância a que nos habituámos na entrega dos óscares,  evaporou-se  naquele momento.
Muito embora a maioria das pessoas concorde que qualquer tipo de violência é injustificável, as  opiniões dividem-se  na interpretação do ocorrido, uns acreditaram ver em Smith um comportamento “machista tóxico”, querendo impor limites para o humor por não ter gostado da piada.
Outros, percebem na piada de Chris, falta de sensibilidade e empatia suficientes para fazer despoletar uma estalada.
No entanto, Will desferiu a estalada, não por considerar Jada incapaz de se defender sozinha, mas  por entender a piada de Chris Rock, cruel com estado emocional da sua mulher.
Não me parece de todo,  que o comportamento de Will deva ser interpretado como uma invalidação às competências de resolução de Jada Smith.
Vejo, simplesmente um homem vulnerável, que invariavelmente sofre com estado emocional da sua companheira.
Onde alguns viram “machismo tóxico” eu vejo empatia e  cumplicidade
Numa breve análise, machismo remete para uma desvalorização da mulher e  Will, indiscutivelmente valoriza a sua, por essa razão defende-a e revolta-se com quem tenta feri-la.
A forma como o fez é lamentável é certo!
É amplamente sabido,  que os conflitos não podem nem devem ser resolvidos à estalada, contudo, tal desajuste reitera ainda mais a ideia de sofrimento emocional a que Will está sujeito.
Cada um de nós sabe melhor do que ninguém onde é que a dor nos aperta.
Bem aventuradamente, a famigerada estalada, levou as pessoas a debruçarem-se sobre  os limites do humor e questionarem a pertinência de tais limites.
Será que há ou deve haver limites para o humor?
A minha resposta é:
Naturalmente que sim!
Como os há para tudo, nomeadamente para a violência e para a crueldade.
Não se trata de não gostar de uma piada, tal como não se gosta de cebola, trata-se da piada ferir.
Ninguém tem dificuldade em entender que um estalo provoque dor física, no entanto ficamos cegos para a dor emocional provocada por uma piada que fere.
A violência/ agressão  é crime,concordamos todos, e com alguma reversibilidade de raciocínio, todos podemos ver,  que a crueldade nas palavras,  dita em forma de piada,  também é agressão.

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