Opinião

Notas de Setembro

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A Festa do Avante faz-se há 46 anos, sempre foi um espaço de paz, alegria e amizade, mas ao longo da sua História sofreu os piores ataques dos que se sentem desconfortáveis com a sua realização.

A Festa
A Festa do Avante faz-se há 46 anos, sempre foi um espaço de paz, alegria e amizade, mas ao longo da sua História sofreu os piores ataques dos que se sentem desconfortáveis com a sua realização. Para eles vale tudo para que ela não se realize.
A primeira festa, em 1976, foi alvo de bombistas. Depois, por mais de uma vez, responsáveis políticos tomaram medidas “administrativas”, para impedirem o uso do terreno onde estava previsto ser construída, obrigando, “à última da hora”, a mudar de local. Mais tarde usaram a pandemia e, apesar de respeitar integralmente a Lei e as orientações da DGS, houve uma patética campanha contra a sua realização. Este ano, usaram o medo e a pressão psicológica para que os artistas não actuassem.
Mais uma vez, voltou a ser uma grande Festa: 30 hectares de confraternização, de debate político livre e plural, música de todos os tipos, vários concertos de grande nível, gastronomia de todo o país, artesanato, diversas modalidades desportivas, artes plásticas, teatro, cinema, feira do livro, etc.
Nela comemorou-se o octogésimo aniversário do nascimento de Adriano Correia de Oliveira e o centésimo de José Saramago - dois militantes sempre orgulhosos do seu partido.
A Festa encerrou no domingo à noite com um fantástico concerto de Dino D’ Santiago que, em pleno espectáculo, desafiou o medo, afirmou «Eu sou Avante!», saiu do palco e misturou-se com o publico protagonizando, com todos os artistas que estiveram na Quinta da Atalaia, uma corajosa resistência contra os que pretenderam usar o ódio e o obscurantismo para impedir a Festa do Avante. Não conseguiram!

Hiroshima e Nagasaki
Meses depois da rendição da Alemanha hitleriana, esmagada pelas Forças Armadas da União Soviética em Berlim, quando era notório que o Japão estava exausto da guerra e sem que nada o justificasse, Truman, Presidente dos Estados Unidos da América, deu ordem para que a aviação americana bombardeasse com bombas atómicas Hiroshima e Nagasaki, cidades japonesas com centenas de milhares de habitantes.
No dia 6 de Agosto de 1945 um bombardeiro americano, largou sobre a cidade de Hiroshima uma bomba de urânio que explodiu algumas centenas de metros antes de chegar ao solo, matando no primeiro momento milhares pessoas. A generalidade dos edifícios e das Infraestruturas ficaram reduzidas a pó. Três dias depois, a 9 de Agosto, Nagasáqui foi sujeita a um castigo semelhante com uma bomba de plutónio.
Posteriormente aos ataques e durante muitos anos, milhares de civis, incluindo muitas crianças, vieram a falecer em consequência das queimaduras e do veneno radioactivo.
A tragédia humana de Hiroshima e Nagasaki não pode voltar a acontecer. Depois de 1945, muitas guerras ocorreram no mundo e continuam a ocorrer. Os povos - ucraniano, palestino, sírio, líbio e todos os outros - necessitam da Paz. A Paz exige diplomacia e negociação e não escaladas armamentistas. Os governantes e os responsáveis das instituições internacionais, têm que se empenhar na construção da Paz e não na guerra.
Num momento em que o escalar das guerras atinge dimensões inaceitáveis é bom recordar A Rosa de Hiroshima de Vinícius de Moraes:
“Pensem nas crianças / Mudas telepáticas /Pensem nas meninas / Cegas inexactas / Pensem nas mulheres / Rotas alteradas / Pensem nas feridas / Como rosas cálidas / Mas oh não se esqueçam / Da rosa da rosa / Da rosa de Hiroshima / A rosa hereditária / A rosa radioactiva / Estúpida e inválida / A rosa com cirrose / A antirrosa atómica / Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada.”

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