Opinião

Notas de Maio

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O Orçamento para 2022
Finalmente, no fim de Maio, chegou Orçamento. Como era previsto, não vai assegurar o desenvolvimento económico nem trazer a melhoria das condições de vida da generalidade da população.
O PS, como já tinha dado sinais em Outubro passado, abandonou o caminho iniciado em 2015. Agora, fazendo jus à sua maioria absoluta, impediu a valorização dos salários e das pensões, a regulação dos preços da energia e dos combustíveis e não está empenhado na melhoria: do Serviço Nacional de Saúde; da Escola Pública e da Segurança Social. Para além disto, deixa cair o alargamento da oferta de transportes públicos, recua no acesso à habitação e na criação de uma rede pública de creches.
A discussão deste Orçamento, deixa evidente que o apregoado diálogo da maioria absoluta é uma falácia. As propostas aprovadas na discussão da especialidade, genericamente, não têm qualquer impacto orçamental e dificilmente terão alguma tradução na vida dos portugueses. Num momento em que o País precisa de medidas para dar resposta à perda de salários e pensões, à subida dos preços, à degradação dos serviços públicos e ao investimento, o PS combina-se com o PAN e o Livre para desviar a atenção do essencial.

Até tu, Kissinger?
Para a esquerda, Kissinger foi sempre uma figura tenebrosa, identificado com o assassinato de Salvador Allende e o golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973 no Chile, com a guerra do Vietname e a guerra contra a Palestina.
Em Maio, no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, Kissinger surpreendeu o mundo ao dizer o óbvio. “Espero que os ucranianos correspondam ao heroísmo que demonstraram com sabedoria”, defendeu o empenho destes em negociações de paz e acrescentou que a “Ucrânia deve desempenhar o papel de Estado neutral, independente, não devendo ser a fronteira da Europa”.
Mas Kissinger foi mais longe, de modo muito inesperado, quanto a mim, recomendou à Ucrânia a cedência de território. Esta guerra, como todas as outras, acabará na mesa de negociações. Parece-me que que a condição, à partida, de se propor à Ucrânia a cedência de território é uma proposta muito injusta. Será que já está decidido o conteúdo do acordo de paz? Se é assim, porque não acabam já com a guerra?

As sanções contra a Rússia
Em Maio, especialistas ocidentais vieram dizer que as receitas do petróleo e do gás natural da Rússia atingiram um nível recorde, apesar das sanções.
Segundo especialistas do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança, as receitas da Rússia provenientes da venda de transportadores de energia aumentaram mais de 50% e metade das receitas previstas de petróleo e gás natural para 2022 foram conseguidas em apenas quatro meses. As sanções do Ocidente sobre a Rússia acabaram por beneficiar o sector da energia. Ao reduzir o petróleo russo do mercado da UE, o seu preço subiu. Os russos foram vender para outros mercados e, com o preço do barril mais caro, aumentaram as receitas. Se o preço do barril continuar a subir, as receitas russas crescerão na mesma proporção.
Os resultados das sanções, para além da propaganda, não estão a contribuir, para a queda do regime autocrático russo nem para o enfraquecimento da sua capacidade militar e, muito menos, para o fim da guerra. O processo inflacionista em curso será um factor de instabilidade em Portugal, promotor de mais dificuldades para as empresas e para os cidadãos. Os que vivem dos rendimentos do seu trabalho e os pensionistas, vão ser os grandes perdedores. Mais uma vez, serão os pobres a pagar a crise.

Os bufos
Em Maio chegou-nos o livro de Irene Pimentel, “Informadores da PIDE - Uma Tragédia Portuguesa”. É um livro muito interessante que mostra como o regime fascista se servia de diversas pessoas da população que delatavam concidadãos, a troco de dinheiro e de interesses pessoais diversos. Muitas vezes denunciaram gente inocente, sem qualquer actividade política, por ódio, inveja e outras razões.
Irene Pimental, expressou a sua indignação quanto ao impedimento legal de divulgar da identidade dos bufos. Estou completamente solidário com a sua crítica. Continuar a proibir a divulgação do nome dos delatores, 48 anos após o 25 de Abril, é uma afronta à memória de todos os que foram presos políticos.

Redes sociais
Noutro jornal, em Maio, foi feita denúncia de um «falso perfil» dizendo-se que era de um “comunista local”. Esperamos que o delator informe, publicamente, o nome do denunciado.
Ficamos a aguardar!

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