Opinião

Notas Breves VI

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Em diversas localidades do País, milhares de pessoas saíram à rua para reivindicar o direito à habitação.
“A habitação é um direito, sem ela nada feito”, foi uma palavra de ordem muito ouvida. Trata-se de um direito, claramente explanado na Constituição da República, muito acarinhado nos primeiros anos após 25 de Abril, mas na medida em que os liberalismos assolaram as cabeças dos nossos governantes, a habitação regrediu no sentido dos tempos da «velha senhora», e o Estado voltou a deixar de investir em habitação pública.
A contestação crescente, obrigou o Governo a tomar medidas, mas há a percepção generalizada que as mesmas tardam e são insuficientes.
Há milhares de famílias em situação de profunda privação sem capacidade para pagar as rendas que o mercado faz crescer diariamente. Outras que não aguentam o brutal aumento das prestações que a União Europeia, a mando da senhora Christine Lagarde, ordena. Erradamente o Governo acata a ordem e não intervém junto da banca nacional, com lucros históricos, para minimizar tal enormidade. António Costa tem o dever de regular as rendas e intervir junto da banca para fazer baixar as prestações. Sem isso nada feito!

A REVOLUÇÃO REPÚBLICANA DE 1910 FAZ 113 ANOS no dia 5 de Outubro, feriado nacional, que a maioria de direita quis extinguir, mas que o bom senso de uma nova composição parlamentar soube repor.
A Revolução surgiu na sequência de um generalizado movimento de contestação à monarquia que culminou com um amplo apoio popular, realizou importantes progressos no plano das liberdades básicas, dos direitos democráticos fundamentais, da educação e da liberdade religiosa.
Os republicanos conduziram a revolução com progressos que não podem ser desvalorizados, mas não podemos ignorar que uma vez chegados ao poder esqueceram muitas promessas importantes e enveredaram por um caminho de repressão a tudo o que eram reivindicações operárias, prendendo e mandando para o degredo centenas de sindicalistas, criando uma situação social de profunda injustiça sobre as camadas mais pobres da população portuguesa.
Foi num cenário de grande confrontação que avançaram as forças mais retrógradas da sociedade, apoiadas pelo capital financeiro, pelos latifundiários e por vários elementos do clero, promoveram em 28 de Maio de 1926, um golpe militar, que deu lugar a uma ditadura terrorista que dominou o País a ferro e fogo durante 48 anos.
Apesar das suas insuficiências, a Revolução Republicana foi sempre uma bandeira pela Liberdade e de união entre aqueles que se opuseram ao regime fascista em Portugal!

A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE foi um evento de uma dimensão que nos parece inultrapassável no futuro mais próximo: pelos muitos milhares de participantes que coloriram as ruas; pela importância da figura do Papa Francisco para o Povo Português; pelas mensagens que o mesmo pronunciou e por muito mais coisas que o autor destas linhas não consegue sintetizar.
Este Papa, com a sua frontalidade, despido de interesses pessoais e com uma mensagem de esperança fascinante, veio reforçar a ideia que esta sociedade injusta não pode ser o fim da História. As palavras que proferiu ficarão gravadas.
O seu alerta para «a falta de rotas corajosas de paz», e o seu questionamento à Europa «para onde navegas, se não ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? Que rota segues, Ocidente?» Falou de uma Europa que se disponha a criar «percursos de diálogo e inclusão, desenvolvendo uma diplomacia da paz que extinga os conflitos e acalme as tensões». Lembrou a tragédia da «triste fase descendente na curva demográfica». Reclamou contra «os desequilíbrios económicos dum mercado que produz riquezas, mas não as distribui». Falou contra a eutanásia e não se esqueceu da ecologia e da necessidade de se cuidar do planeta – a nossa casa comum.
Infelizmente, a cobertura mediática foi cuidadosamente desenhada para afastar da mente da multidão os temas mais críticos para quem governa.
As direitas mais extremas, a liberalista e a cheguista, faltaram à recepção. Compreendemos que as ideias humanistas e sociais do chefe da Igreja Católica as perturbe, mas é mais difícil de compreendermos a falta da «esquerda radical-moderna». Talvez só Deus saiba explicar o que a levou, também, a estar ausente.
A justeza, a modéstia e a clareza da palavra do Papa Francisco, conferem-lhe uma grande popularidade e simpatia, entre todas as pessoas empenhadas num mundo melhor. Bem-haja!

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico

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