
18 de Janeiro de 1934 - 90 anos de uma revolta
Salazar fez promulgar, em Setembro de 1933, o Estatuto Nacional do Trabalho, uma lei, inspirada na Carta del Lavoro de Mussolini, que fechou os sindicatos livres e criou novas organizações subjugadas ao poder estabelecido.
Por todo o País, verificaram-se movimentos grevistas contra o encerramento dos sindicatos. Na Marinha Grande, os operários vidreiros, fizeram greve e ocuparam o quartel da GNR, apoderaram-se das armas, prenderam os soldados e os graduados e tentaram que dali eclodisse uma insurreição generalizada no País, capaz de derrubar o regime.
Infelizmente, após algumas horas, tudo desabou, seguiu-se uma repressão brutal com prisões e torturas. Alguns dos revoltosos acabaram por ser levados para o Campo de Concentração do Tarrafal, também designado Campo da Morte Lenta, em Cabo Verde.
Apesar desta acção, heróica e patriótica, não ter resultado, ela contribuiu para que, 40 anos mais tarde, o regime fosse deposto e conquistássemos a Liberdade.
O SNS e as lágrimas de crocodilo
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril. Quem conheceu as condições da saúde da população portuguesa, no tempo do chamado Estado Novo, não pode deixar de concluir que o caminho percorrido, nesta área, foi notável.
Não se pode ignorar que, apesar dos êxitos alcançados, na baixa da mortalidade infantil, no acesso aos cuidados médicos, na vacinação, nas camas hospitalares, na longevidade, na organização e noutros itens, o SNS está com debilidades, para as quais são necessárias respostas
Porém, o carrocel mediático que diariamente abre os telejornais, dando a ideia que o serviço público, universal e tendencialmente gratuito está num pântano, faz-nos pensar que, no meio disto e para além das notícias, há publicidade enganosa, para levar os cidadãos a adquirirem seguros de saúde e serviços médicos privados.
Cá para nós, o SNS continua a ser a melhor alternativa para cuidar da saúde dos portugueses. É dever de todos exigir soluções para corrigir as suas falhas, mas não nos deixemos enganar, por aqueles que sempre estiveram contra este serviço público e choram lágrimas de crocodilo, como se fossem os seus melhores amigos. Não, não são!
O populismo não tem graça
. O populismo, o discurso de ódio, a xenofobia e as promessas irresponsáveis estão a render. Os seus promotores estão a ser levados ao colo pelas televisões. Não sei aonde vão chegar, mas sei que a democracia corre riscos com eles.
No final da semana passada, pudemos assistir, em directo de Viana do Castelo, a um dos espectáculos mais torpes dos últimos tempos. Erradamente, com as imagens daquela coisa, Ricardo Araújo Pereira fez uma sessão de comédia. Tive pena que o comediante gastasse o seu azeite, naquela lamparina.
Cá para mim, a estupidez daquela sala, não tem graça nenhuma!
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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