Opinião

Mobilidade pedonal e segurança

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A mobilidade pedonal é um assunto pelo qual nos temos batido muito em S. João da Madeira desde o inicio dos anos 90, mas os vários executivos municipais têm dado pouca importância a este tema. É pena!
Durante a década de 80 a cidade adquiriu e instalou um conjunto significativo de semáforos. Porém, não compreendemos as razões, num período relativamente curto todos os semáforos, sem excepção, foram retirados. Muitos dos perfis das nossas ruas foram alterados. Em todo lado que foi possível passou-se a ter arruamentos com duas faixas de rodagem e separador central. Muitos cruzamentos e entroncamentos passaram a ter rotundas. Chamaram-nos a cidade das rotundas. Éramos a cidade com mais rotundas por Km2.
Em muitos casos, para se aplicar o separador central os passeios foram reduzidos. Um dos exemplos mais evidentes é a Rua Afonso de Albuquerque. Nesta rua nalguns sítios os passeios foram reduzidos para larguras de cerca 30 cm e noutros até foram anulados. Todas as alterações daquela época foram feitas em nome de mais segurança e de maior fluidez do trânsito, mas isto não aconteceu, pelo contrário, os peões passaram a ter mais insegurança.
A segurança dos peões nas cidades é um tema central do urbanismo contemporâneo. Em Portugal, os peões representam uma parte significativa das vítimas mortais em meio urbano e São João da Madeira é uma das mais inseguras.
“O Regional” informou-nos que a Câmara Municipal pretende instalar almofadas de redução de velocidade «nos pontos mais críticos». É uma medida positiva, mas é manifestamente insuficiente. Temos uma cidade compacta com distâncias pequenas e urge dar mais comodidade e segurança aos peões.
A segurança dos peões impõe a circulação de veículos a velocidades reduzidas. Parece-nos fundamental a criação de zonas 30 Km/h, mas não basta sinalizar a velocidade é absolutamente necessário que haja equipamentos que impeçam que se possa ultrapassar a velocidade sinalizada. A propósito das almofadas, frequentemente vemos motas a circular a velocidades muito elevadas na Avenida Renato Araújo. Alguns condutores de mota, quando chegam às almofadas não reduzem a velocidade, passam pela beira entre a almofada e o passeio para evitar o obstáculo.
Precisamos de: passadeiras bem iluminadas; passadeiras elevadas; lombas redutoras de velocidade; semáforos; radares de velocidade e bons passeios.
Porém isto só não chega. Precisamos também de educação e de fiscalização.
A educação a Câmara não pode comprar, mas pode tentar alterar os comportamentos através de campanhas de sensibilização.
A fiscalização cabe à Policia de Segurança Pública que necessita, como todos sabemos, de mais efectivos e mais meios para desempenhar melhor a sua função.
Vamos ter esperança que as coisas melhorem!

O autor escreve segundo o Acordo Ortográfico anterior a 1990.

 

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