Opinião

Mais dinheiro para o Novo Banco?

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Três décadas depois da primeira privatização e cinco anos depois da segunda, a vida veio demonstrar que estão certos aqueles que acham que o Estado deve ter o controle do Novo Banco!

O Estado continua, de forma incompreensível, a ter de sustentar todas as trapalhadas que têm ocorrido no antigo Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa - hoje Novo Banco.
Privatizado em 1992, pelo XII Governo Constitucional, chefiado por Cavaco Silva, aquele banco, na altura, altamente lucrativo para o Estado Português, teve muita gente activa a manifestar-se contra a sua privatização na esquerda, nas áreas sindicais e, muito particularmente, funcionários bancários. Ao mesmo tempo que no arco do poder (CDS, PSD e PS) houve políticos influentes, empenhados na privatização. Alguns, com grande proximidade à família Espírito Santo. Lembramos o grande regozijo de uns poucos pelo facto do banco ser entregue ao GES, um grupo de “grande sucesso empresarial e acima de qualquer suspeita”.
Quando começaram a surgir indícios que o banco se encontrava envolvido em negócios pouco transparentes logo veio Cavaco e Silva, a 21/07/2014, na qualidade de Presidente da República, afirmar na TV que “os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo” acrescentando que “as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa”.
Alguns meses depois, vimos como eram enganadoras as palavras do então Presidente da República, quando o Governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas, intervencionou o banco.
Depois o Estado injectou dinheiro até dizer chega, para que o banco não fosse à falência e dividiu-o em dois: “o banco mau” e o “banco bom”. O que era mau e “tóxico” foi para o “banco mau” e o seu destino foi o Estado e o que era bom, como “a carne da perna”, foi para o “banco bom” e o seu destino foi o sector privado.
O “banco bom” mudou de nome para Novo Banco e foi posto à venda. Depois várias de campanhas falhadas junto de grupos financeiros, em 2017, o Governo PS acabou por o vender à Lorn Star (um fundo de investimentos americano). As condições de venda contêm compromissos estranhos, para o Estado que implicam que até 2026, o Fundo de Resolução (pelo qual o Estado responde), poderá ter de compensar o Novo Banco por perdas, num conjunto de activos problemáticos, até ao limite máximo de 3.900 milhões de euros, “quando ponham em causa os rácios de solvabilidade” (afinal parece que o “banco bom” não era 100% bom).
A contrapartida do Estado Português naquela venda foi receber zero euros. A Lorn Star ficou obrigada a investir 1.000 milhões de euros no (seu) Novo Banco, e nada pagou. Para além disso limitou-se a receber dinheiro do Estado. Já recebeu 2.976 milhões de euros públicos e ainda não está saciada.
Agora querem mais 200 milhões de euros, apesar do banco ter lucros elevados e das autoridades supervisoras comprovarem que o banco cumpre os rácios de solvabilidade.
Sabemos que os patrões do Novo Banco, tudo farão para chupar o Estado até à totalidade dos 3,9 mil milhões de euros, dados como garantia máxima. Sabemos que o contracto de privatização que o Governo de António Costa fez com eles deixou algumas “borlas” que os inspiram a pedir mais dinheiro. Contudo, achamos que o interesse público não pode ser prejudicado. Esperamos que o Governo seja forte (também com os fortes), na defesa dos interesses nacionais.
Três décadas depois da primeira privatização e cinco anos depois da segunda, a vida veio demonstrar que estão certos aqueles que acham que o Estado deve ter o controle do Novo Banco!

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