Opinião

Lobo! Lobo!

• Favoritos: 159


A Argentina não está isolada na crescente influência política carregada de laivos populistas e neofascistas.

A selvajaria liberal de Javier Milei, não surgiu do “vácuo” como muitos pretendem fazer crer, mas sim da política dos partidos do arco do poder. A causa da sua ascensão foi originada pelo desrespeito dos governantes com as aspirações do Povo. Foi neste contexto que o grande capital argentino, dono dos grandes meios de comunicação social, mudou de peão e promoveu, com muito dinheiro, Milei.
Na Argentina, as primeiras medidas que o novo presidente impôs - ao estilo dos economistas da Escola de Chicago, durante o fascismo no Chile - são a prova dos nove, de quanto brutal e injusta é a politica liberal e populista. É assim que funciona a direita extrema.
Por cá, as situações económicas e sociais continuam a agravar-se: persistem os baixos salários e as baixas reformas; o Serviço Nacional de Saúde (SNS) permanece com uma manifesta falta de profissionais; as rendas estão cada vez mais caras; as prestações do crédito mais difíceis de se pagarem e a Escola Pública vê-se confrontada também com falta de professores.
Há um sentimento de tristeza colectiva, motivada: pelo comportamento governamental de décadas de alienação das aspirações da população; pela necessidade de emigrar; pela repetição de “casos e casinhos” que promovem sensação de falta de transparência e pelo sentimento que a justiça funciona mal.
É neste caldo que se coze a nossa vida política e onde se sente uma angústia colectiva causado pela insatisfação popular. Insatisfação aproveitada por aqueles que pretendem deitar abaixo o regime saído da Constituição da República de 1976 e, não tenhamos dúvidas, se puderem fazem-no. Há muita gente a chorar pelo SNS, público e tendencialmente gratuito, mas são lágrimas de crocodilo - se puderem passam-no a privado. O mesmo se pode dizer da Escola Pública.
E o que faz o Secretário-Geral do PS (o efectivo e o emérito)? Grita que vem aí a extrema direita, apresentando o seu partido como o único capaz de impedir que aquela gente ponha as mãos no poder. Mas será assim? Não terá o PS, assim como o PSD, grande responsabilidade pelos anos de má governação que abalaram profundamente as aspirações que o 25 de Abril criou na população portuguesa? Também por cá a extrema direita não surgiu do “vácuo”.
Com eleições à porta, o PS ganhou o tique de gritar por alguma coisa. Foi o tempo da Bazuca, uma bazuca que só os socialistas podiam operar – e pimba maioria absoluta. Agora é a extrema direita, novamente só os mesmos a podem contrariar. Esta narrativa dos socialistas não passa de uma falácia. Na realidade, só pretendem captar votos.
Da nossa parte, faremos o que esteja ao nosso alcance, para demonstrar que há uma alternativa envolvida no mundo do trabalho e que a história de “Pedro e o lobo” não faz sentido. Passados dois anos das eleições de 2022, já houve tempo para reflectir: como os socialistas se desviaram do caminho iniciado em 2015; como a maioria absoluta foi nefasta para quem vive de salários e pensões e para o perigo do PS, com faca e o queijo na mão, cortar a mão.
À esquerda, a CDU é uma alternativa apostada: em libertar o País da submissão aos grupos económicos; em lutar por melhores salários e melhores pensões; em melhorar o Serviço Nacional de Saúde a Escola Pública e o acesso à habitação.
Queremos construir um País melhor. Não temos medo do lobo. Vamos à luta!

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
159 Recomendações
545 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo