Opinião

Linha do Vale do Vouga

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Temos, todos juntos, de levar os nossos autarcas a pronunciar-se sobre esta tão necessária realização e a defendê-la junto do Ministério das Infraestruturas

Tenho acompanhado, com verdadeiro interesse, a campanha que Castro Almeida tem promovido em “O Regional” sobre a ligação direta da linha do Vale do Vouga, em bitola larga, à linha do Norte em Espinho. Com esta ligação seria possível ir de S. João da Madeira até Campanhã em 40 minutos, sem ter de mudar de comboio. E, a partir daí, chegar a todos os lugares da área metropolitana do Porto (a que felizmente pertencemos) pelo preço do Andante (metropolitano), que é de 40 euros mensais.
Castro Almeida é um conhecedor exímio da nossa região (Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira e Santa Maria da Feira) sabe que nos encontramos inseridos numa área muito industrializada, onde o tempo é dinheiro, e a eficiência tem de ser continuamente procurada.
Não é mais aceitável pensar que, para se ir em caminho de ferro até ao Porto se tenha de fazer um transbordo em Espinho e demorar no total do percurso bem mais de uma hora.
Devo dizer-lhes que, para além das muitas e pertinentes razões apresentadas por Castro Almeida na defesa da solução que preconiza, eu sou também um interessado especial, e vou-lhes expor a minha situação, que julgo ser também comum a muitos residentes nesta região.
Tenho a minha filha emigrada, a viver com o marido e um filho, em Berlim, e, duas a três vezes por ano, desloca-se a S. João da Madeira para passar férias e matar saudades da família e das amigas. Acontece que a Ryanair, para poder fazer os voos a preços razoáveis, começa a trabalhar muito cedo e acaba tarde, já ao fim do dia. Deste modo, consegue ter um bom aproveitamento do capital investido nos aviões, que fazem vários voos todos os dias. Se isto é uma grande mais-valia para a minha filha, que tem voos diretos de Berlim para o aeroporto Sá Carneiro, a preços razoáveis, já para mim é uma grande dor de cabeça porque, nos dias em que ela parte, tenho de a ir levar ao aeroporto. Nesses dias, tenho de me levantar pelas três da manhã e ir de noite, por vezes com muita chuva, levá-la ao Sá Carneiro na Maia para ela poder seguir para a Alemanha. Quase o mesmo se passa nas suas vindas. Aí, o avião chega perto da meia-noite e só passado sempre mais de meia hora é que as malas são entregues. Como a minha filha, o marido e o filho trazem sempres três malões, de vinte quilos cada um, e, aquelas horas não existe transporte decente e a preços razoáveis, eu sou obrigado a ir de automóvel procurá-los ao aeroporto e tenho de meter a viatura no estacionamento subterrâneo, o que representa pagar valores elevados. No final, chego a S. João da Madeira perto das duas horas da manhã, muito cansado e a pensar que, com os meus 77 anos, não poderei continuar a prestar este serviço à família por muito mais tempo.
Quando passo por estas dificuldades lembro-me sempre da justíssima campanha de Castro Almeida que, se fosse implementada, permitiria à minha filha vir de comboio, com toda a comodidade, pagando valores irrisórios, sem ter de sobrecarregar o seu pai.
Dr. Castro Almeida não desista, pois, a sua ideia representa uma enorme mais-valia para a região.
Sanjoanenses, Feirenses e Oliveirenses manifestem-se na defesa dos vossos interesses.
Os que não lutam e não defendem os interesses comuns, não merecem as benfeitorias que lhes são facultadas.
Temos, todos juntos, de levar os nossos autarcas a pronunciar-se sobre esta tão necessária realização e a defendê-la junto do Ministério das Infraestruturas para que a linha do Vale do Vouga, entre Oliveira de Azeméis e Espinho passe a ter bitola ibérica, tal como todas as linhas férreas que servem as principais cidades do país.

 

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