
O Padre António Moura de Aguiar nasceu em Tuias, Marco de Canaveses em 18.10.1917, e celebrou a sua primeira Missa na sua terra natal, em 30.08.1949. Antes de vir para a nossa terra, foi coadjutor na paróquia de Campanhã (Porto), a seguir, Prefeito do Seminário de Teologia, e durante seis anos foi pregador em várias freguesias da nossa Diocese. Em setembro de 1951, foi nomeado pároco de São João da Madeira e no dia 23 de setembro do mesmo mês, deu entrada na nossa Igreja para presidir aos destinos espirituais da nossa Paróquia. Durante vários anos e ainda no tempo de D. António Maria Pinto, exerceu também as funções de Delegado Episcopal na Região Porto-Sul, onde estamos situados. Em 25 de setembro de 1998, o Prof. Manuel Ismaelino, escreveu no Prefácio do livro, sob o título, “PADRE MOURA DE AGUIAR - UMA VIDA - UMA OBRA”, (…) “Se, a princípio, logo o seu porte hercúleo fez a admiração dos sanjoanenses, meses depois, já muitos adivinhavam, no novo Pároco, o sacerdote zeloso e de espírito empreendedor, qualidade que, dia após dia, se foram agigantando (…) Era S. João da Madeira terra difícil, dizia-se. O que se não dizia era que o Padre Maura de Aguiar iria para bem de S. João da Madeira ficar entre nós cerca de meio século (…) O seu trabalho inteligente e exaustivo no campo social granjeou-lhe respeito e admiração profundos (…) O seu incansável zelo sacerdotal, a sua palavra de profunda sinceridade, a irrepreensível forma de vida tocavam os corações e tantos são os que, agradecidos, lhe estão a prestar, comovidamente, homenagem de veneração, nesta hora tão difícil da despedida (…) Após 47 anos de trabalho, de trabalhos e canseiras, após 56 anos de sacerdócio, aos 81 anos de idade, o Rev. Padre Moura Aguiar vai deixar-nos brevemente, para gozar o merecido descanso que a sua abalada saúde reclama”.
Quando o Padre Aguiar celebrou 50 anos de sacerdócio, a Câmara Municipal atribuiu-lhe a Medalha de Ouro da Cidade. Em 1999, um ano após a sua saída de S. João da Madeira, a nossa Câmara mandou erigir e inaugurou o seu busto no jardim ali ao lado da residência paroquial. Um dos sonhos do Pe. Aguiar era de criar um “Boletim Paroquial”, como um meio de comunicar com os paroquianos na transmissão da Palavra e na vida ativa da Paróquia. A 2 de janeiro de 1954, foi publicado o primeiro número que surpreendeu muita gente, com o nome O RESTAURAR. Este jornal, era distribuído para vários países, sobretudo a emigrantes que o desejavam. Uma senhora que vivia em França disse-lhe uma vez: “Olhe que eu, quando recebo o seu jornal, sento-me e leio-o de fio a pavio”. E pensava para si: “Era esta comunhão espiritual que eu desejava manter, como pároco, com estes que também eram da Comunidade”.
Quando deixou S. João da Madeira e foi para a sua terra, o Sr. José Pinho, diretor do “O Regional”, pediu ao Padre Aguiar para que ele escrevesse umas crónicas para o jornal sobre os acontecimentos do passado, dos empreendimentos e realizações durante os seus 47 anos como Pastor dos cidadãos sanjoanenses. O Sr. José Pinho e o Prof. Ismaelino, tinham um grande apreço pelo padre Aguiar, e este por eles.
Sobre a feitura do livro, o Padre Aguiar na sua “Nota preliminar” escreveu: “Ora o Sr. José da Silva Pinho, que sempre manteve e mantém viva a paixão por tudo aquilo que é da sua terra, sugeriu-me a ideia de publicar, em livro, essas crónicas que teriam, a realizá-lo, a inserção de várias fotografias que podem ter algum interesse para as gerações futuras”. Disse ainda: “Estou na idade de pensar noutras contas mais importantes para a minha vida, nem sequer tenho possibilidades económicas de arcar com as despesas que acarreta a publicação deste livro. O problema será resolvido pelo Sr. Pinho e pelo “O Regional”. “Bem-haja por isso!”.
Dentro dos muitos temas poéticos que estão no livro, escolhi:
NATAL VELHO
O meu Natal tem dores,
A minha vida tem sombras.
Todos se esquecem de mim,
Quando fazem suas compras.
Ontem fui uma criança,
Hoje sou pobre e velhinho…
Já não tenho pai nem mãe,
Já ninguém me dá carinho.
Mas também vou ter “Natal”,
Coberto de trapos meus…
Fica-te, mundo egoísta,
Anjos me levam aos Céus.
E em paz, eu cantarei,
O meu hino imortal.
Enquanto os outros cá choram,
Para mim será Natal…
Eu estou grato pela Edição de ‘O Regional’ / julho 2003, porque este livro, é um dos mais próximos das minhas mãos.
O Padre António Moura de Aguiar faleceu em Tuias, Marco de Canaveses sua terra natal, no dia 13 de julho de 2009. Que a sua alma descanse em paz.
Reflexão de Santo Agostinho sobre a morte: “Eu sou eu. Vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo”
Desejo a todos, um grande ano de 2024
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