
O mundo, apesar da sua grandeza, deixa-nos muitas vezes limitados aos acontecimentos do dia-a-dia que nos vão chegando através de notícias que tentam influenciar a nossa maneira de pensar e agir. O quanto fortes temos de ser para nos mantermos iguais a nós mesmos sem nos deixarmos influenciar pelo mundo que nos rodeia. Por vezes é necessário parar para pensar, e, rapidamente ficamos a saber que os nossos oito quilómetros quadrados são tão grandes como o resto do mundo. Claro que estou a exagerar, nem quero mesmo fazer comparações. Só quero reconhecer que por vezes, acontecem-nos coisas para as quais nada fizemos, mas elas acontecem. E não falo de coisas más, felizmente, e, ainda bem! Também somos brindados com bons momentos, porque merecemos. Gaba-te cesto!! Estão vocês a pensar! Não, nada disso! É só, que com tanta horribilidade fico a pensar que todos merecemos um pouco de paz, de sã camaradagem e longa amizade.

Acidentalmente, conheci o Thiago, brasileiro e, segundo ele, tinha a idade de Cristo. Veio da cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, e vive no meu prédio. O Thiago, sem subterfúgios, contou-me a sua vida desde pequenino, os seus sonhos, a sua esperança de trazer, para perto de si a família. O Thiago, fotografo, músico, organizador de eventos e cozinheiro. Aprendeu a cozinhar com uma avó adotiva. Enfim, o trabalho não o atrapalha. No dia que nos conhecemos convidei-o a tomar um café em minha casa. Quando estávamos na sala, os olhos dele percorreram as “relíquias” cá de casa. E fixaram-se na minha velhinha guitarra, que ele chamou de violão. Pegou nele e afinou-o durante alguns minutos. A minha “Eko” reproduziu sons que nem eu acreditava que ela era capaz! Num domingo fui, convidar o Thiago para vir almoçar a minha casa e conhecer a minha família, além dos meus dotes de chef. Quando o fui chamar para o almoço, apresentou-me o amigo Fábio. Nesse momento, o Fábio tinha um violão na mão. Disse ao Thiago para trazer o amigo, ao qual ele perguntou se podia trazer o violão... Claro que sim, disse eu! O Fábio lá veio com o seu violão, e foi dizendo que já tinha almoçado. Disse-lhe que não havia problema, “Não comes, mas bebes connosco!”. Foram recebidos cá em casa com toda a simpatia. Comemos e bebemos. O Fábio foi-nos contando que já está cá em São João da Madeira há cerca de três anos e trabalha numa das grandes empresas cá do burgo.
No final do almoço fomos brindados com um concerto de música brasileira do nordeste e do sertão. A cada canção, o Thiago contava-nos uma história. E, nesta troca de histórias, o Thiago perguntou-nos se conhecíamos o joão-de-barro. Não, só conhecemos o João de Barros, poeta e pedagogo português, mas o João-de-barro não! Então, conta-nos que joão-de-barro é uma ave que constrói os seus ninhos em barro e, por ciúmes, fecha a fêmea no ninho e a deixa lá ficar. O Thiago e o Fábio brindaram-nos com uma última canção dedicada ao joão-de-barro. Despedimo-nos com a certeza de que nos voltaremos a encontrar, pois para a próxima vez é o Thiago a fazer a feijoada brasileira com farófia. Depois deste encontro ficamos todos um pouco mais ricos. Ao pesquisarmos sobre a ave João-de-barro ficamos a saber que esta ave existe em toda a América do Sul e é o símbolo da Argentina! Também ficamos a saber que o facto de fechar a fêmea no ninho é uma lenda. Vá-se lá saber porquê!
Na música, uma viagem ao sertão e nordeste brasileiro.
Nos livros, porque não uma viagem à obra do poeta João de Barros.
O mundo nem é assim tão grande. E, esta malta que procura o nosso país para trabalhar, se lhes derem uma oportunidade vão descobrir que vale a pena...
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