Opinião

Igualdade onde? Nos papéis?

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Ainda há pouco tempo comemorávamos o 25 de abril, com todos os valores que daí advêm, e tudo parecia tão promissor. Quando pensamos que 50 anos é tempo suficiente para mudar mentalidades e construir uma sociedade alicerçada em valores como a igualdade e equidade, há histórias que se esbarram connosco e mostram-nos que a realidade não é bem assim.
Temos na cidade empresas que, tendo homens e mulheres como trabalhadores, tratam de forma diferente uns e outros em razão do género. Soube concretamente de uma empresa que tendo os trabalhadores a mesma função, com a mesma escolaridade e as mesmas horas de trabalho, a remuneração das mulheres é mais baixa. Nas épocas festivas como o Natal, os homens recebem um cabaz de Natal e as mulheres não. Como pode isto acontecer numa cidade que vende a ideia de que é vanguardista? Como é que podemos continuar a alimentar este monstro que é a desigualdade?
Se por um lado, parece que não há queixas na ACT por parte das trabalhadoras, muito provavelmente porque a faixa etária não lhes permite cogitar a ideia de mudar de emprego, ou por um sem-número de motivos, por outro, as mulheres que fazem parte da direção/administração da empresa parecem querer perpetuar esta tradição misógina.
O que torna esta realidade ainda mais preocupante é que esta é apenas uma situação, temos dezenas de empresas na cidade e, tendo em conta que há uma inatividade para alterar a realidade dos factos nessa empresa, esta situação deve ser recorrente.
A igualdade que a Lei prevê tem de ser exercida na prática, no dia-a-dia, senão de nada vale. Do que nos interessa se a cidade se diz verde se as mulheres não têm igual tratamento que é dado aos homens? De que vale a cidade ter festas se as mulheres não são dignificadas?
Não entendo esta passividade de quem tem poder para fazer com que esta realidade se altere. Se esta história veio ter comigo, decerto que é conhecida por muitas pessoas. Nada justifica que em 2024 se feche os olhos a esta discriminação gritante e preocupante. As mulheres não são um figurino para se mostrar que as empresas dão oportunidades a elas e que a questão da igualdade de género está garantida quando, na verdade, as mulheres não passam de uma forma de enganar os números.
Aos homens e às mulheres o mesmo pode ser exigido, como o mesmo deve ser recompensado. Nascer homem não deve ser motivo de passe de garantia para uma vida fácil, em contrapartida das dificuldades de quem nasce mulher é obrigado a passar. O género não garante caráter, dedicação, comprometimento e capacidade. Por isso, não façam do género uma desculpa para determinados comportamentos.
A quem de poder deixo o repto de tentar tornar a cidade menos discriminatória. As mulheres não podem continuar a ser perseguidas como foram até aqui.

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