Opinião

Hortalices - Mercado municipal: a horta mais-que-perfeita

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Quem entra ali, é como se entrasse numa catedral de cores, de cheiros e de sons. No meio, estende-se uma grande tela de verduras e de frutas de várias cores. Ao fundo das escadas principais, alinha-se uma ala de floristas e uma fila de banquetas para os “lavradores” que tentam vender a produção das suas hortas. É aqui que aparecem frequentemente molhos de hortícolas para consumir ou transplantar: o cebolo de todo o ano e a bela penca da Póvoa, a prever Natais de bacalhoada.  Às quintas e sextas, aqui monta banca a D. Altina, minha habitual fornecedora de plantas juvenis. Depois, há ainda o minimercado Fatinha, a peixaria, lojas de congelados e bancas de legumes secos. Além dos cinco atraentes talhos, encontra-se, numa das entradas laterais, uma secção avícola de animais vivos, galinhas, frangos e pintos, cacarejando ou piando, conforme a maturidade das suas cordas vocais. E também há ovos e galinhas poedeiras, estas, para quem preferir comprar a fábrica, em vez do produto acabado.


Apesar da inconstância do seu horário de funcionamento, sempre motivo de controvérsia, dá gosto passar pelo Mercado Municipal, falar com os comerciantes, saber da origem e caraterísticas dos produtos e até discutir preços.
Quem por ali deambula, e eu faço-o mais do que uma vez por semana, facilmente repara que a maioria da clientela não é propriamente jovem. Parece-me que os jovens não vão ao mercado, preferem o plástico, os néones e os cheiros e sabores enjoativos das grandes superfícies.
Iniciativas como a “Poesia à mesa”, que ali passou há três semanas, campanhas de animação e promoção diversificadas, visitas de estudo das escolas, inserção no roteiro turístico, poderiam ser formas de trazer ao mercado o público que dele se afastou, ou que nunca o frequentou. Com acesso exterior, há ainda um snack-bar, uma padaria e lojas de decoração e vestuário e, no terceiro piso, pronto-a-vestir, retrosaria e calçado, que também ajudam a atrair clientela. A prometida zona de restauração para o segundo piso talvez possa vir a dar uma ajuda.
Acreditem: o Mercado Municipal é a horta mais completa que existe. Nele se vendem produtos feitos noutras hortas e produtos que irão fazer novas hortas. E até há coisas que não vieram de horta nenhuma! Querem melhor do que isto?

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