Opinião

Hortalices - Jorge Paiva, o grande hortelão

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Não é um herói das redes sociais, nem figura do desporto, nem da televisão. Também não é candidato às eleições presidenciais, nem a primeiro-ministro. Se perguntássemos a uma centena de portugueses quem é Jorge Paiva, não sei quantos responderiam corretamente. Todavia, há quinze anos, tivemos oportunidade de conviver com ele aqui em São João da Madeira, no auditório da Escola Secundária Dr. Serafim Leite e, mais tarde, nos Paços da Cultura.
Foi nas mãos dele que vimos a maior semente do mundo, foi nas palavras dele que ouvimos falar das plantas de Camões, foi na mágoa do seu lamento que se confessou “cientificamente realizado e civicamente desiludido”.
Jorge Paiva dedicou toda a sua vida às plantas, à ciência e à atividade cívica, porque é dos que entende a ciência como uma forma de despertar consciências em defesa do ambiente e em defesa da cultura.
Jorge-paivaJorge Paiva vive em Almada, tem 92 anos, e ainda se desloca de Almada a Coimbra todas as semanas, para desenvolver investigação no gabinete que mantém na Universidade de Coimbra. Quem entra no Jardim Botânico de Coimbra, pelo lado da Rua do Arco da Traição, encontra, à esquerda, um pequeno auditório com o sugestivo nome “Sala da Cultura Científica Jorge Paiva”. Por cima, na Biblioteca do Departamento de Ciências da Vida, esteve patente a exposição “35 ANOS DE POSTAIS: UMA VIDA DE INTERVENÇÃO”, exibindo imagens dos 35 postais de Natal enviados pelo professor a centenas de pessoas, numa importante campanha de sensibilização ambiental.
Este ano, Jorge Paiva tinha decidido não publicar o habitual postal de Natal, todavia, por insistência do seu Departamento, publicou o 36º postal, desta vez ilustrado com fotografias de duas plantas, uma já desaparecida da Península Ibérica, a escorcioneira-oca (Avellara fistulosa), e a outra, uma árvore descoberta há pouco tempo na ilha do Príncipe a Voacanga madureirae.
Enquanto defensor da ideia de que a ciência tem uma missão cultural e cívica, Jorge Paiva tem-se dedicado com insistência ao estudo da obra de Camões. Confessou uma vez que, de dia estuda Botânica e, à noite estuda Camões. Como resultado desse estudo, publicou a obra “As Plantas na Obra Poética de Camões”, disponível online e recentemente publicada em papel.
Depois de, na crónica anterior, vos ter desejado Boas Festas com um ramo de arruda contra o mau-olhado, nesta primeira crónica de 2026, nada melhor para vos desejar um Bom Ano do que este postal e esta mensagem de Jorge Paiva, o grande hortelão da defesa do ambiente e da cultura.

Nota: A informação e fotos desta crónica foram recolhidas 
no Jornal “Público”.
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