Opinião

Hortalices - Dinossauros na horta

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A minha horta tem frequentemente visitantes indesejados. Às vezes é um gato que revolve um alfobre de terra fofa para se aliviar de necessidades prementes. Outras vezes é um cão que espezinha um canteiro farejando o rasto do rei dos cães ou de congéneres brincalhões…. Irritam-me. Mas, como sou uma pessoa otimista, relativizo os danos e penso, “seria bem pior se entrasse por aqui dentro um dinossauro”. Dirão os meus leitores que já não há dinossauros. Pois não, mas como há cada vez mais gente com ideias dinossáuricas, talvez convenha ir treinando a imaginação…
Quem me poderia ajudar a avaliar a dimensão dos estragos na minha horta, caso nela entrasse um grande dinossauro, seria um homem que hoje tem 95 anos, e que muito sabe dessas coisas. Chama-se António Marcos Galopim de Carvalho, geólogo emérito, que considera a ciência em geral e a geologia, em particular, algo importante na formação de um cidadão. E é essa visão abrangente que o levou a tornar-se o responsável pela enorme onda de curiosidade pelos dinossauros, iniciada na década de 1990 e que ainda hoje se repercute. Galopim de Carvalho não é paleontólogo; foi a descoberta de vestígios dos sáurios nas suas investigações geológicas, que o levou a dedicar uma parte da vida a esses misteriosos animais. Muitos se lembrarão do célebre episódio do trilho das pegadas de dinossauros em Carenque, Sintra, que obrigou a Brisa a abrir um túnel para que a autoestrada não as destruísse. Foi a célebre “batalha de Carenque”, que deu origem a um livro com esse mesmo nome.
Enquanto diretor do Museu Nacional de História Natural, acabou por ser o grande responsável pela enorme divulgação que os dinossauros, ou “dinossáurios”, como ele diz, tiveram na década de 1990. Quando em 1992, o referido Museu, então por ele dirigido, apresentou a exposição de dinossauros robotizados, gerou-se uma autêntica paixão por esses bichos. A exposição chegou a receber nove mil crianças por dia.
Mas, além do imaginário ataque de dinossauros à minha horta, outra razão existe para justificar esta crónica dedicada a Galopim de Carvalho. Como bom geólogo e bom alentejano, Galopim é um apaixonado por ervas aromáticas. Na sua extensa bibliografia – cerca de 30 livros publicados, entre ciência e ficção – há dois que têm aromáticas no título, “Com Coentros e Conversas à Mistura” e “...Com Poejos e outras ervas” (Âncora Editora).
Mas Galopim de Carvalho continua em movimento: faz publicações quase diárias no Facebook e há livros dele em todo o lado. Mesmo sem dinossauros na horta, este foi um bom pretexto para o conhecer melhor.

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