Opinião

Greve Geral

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Portugal entrou para o euro com a promessa, feita pelos seus governantes, de que os trabalhadores portugueses passariam a integrar o “pelotão da frente” dos salários europeus.
Esta promessa nunca foi cumprida. Já passou ¼ de século e estamos muito longe do tal pelotão.
De acordo com o Eurostat em 2023 o salário médio na União Europeia, medido em paridade do poder de compra (PPC), era 3 155 euros. Em contrapartida, o salário médio anual em Portugal, em PPC, era de 2 258 euros.
O PPC é uma unidade monetária artificial que indica a unidade com que se pode, teoricamente, comprar a mesma quantidade de bens e serviços em cada país. Ou seja, é uma forma de comparar valores monetários tendo em conta os preços diferentes de cada país. Medido em PPC o salário médio português é 71,6 % o salário médio da UE. Estamos, assim, em 21.º lugar no ranking dos 27 países da UE, no “pelotão de trás” - dizemos nós.
Por outro lado, se nos compararmos com a camisola amarela, o Luxemburgo, cujo salário médio em PPC em 2023 era 4 474 euros, dá para perceber o quão frustrados nos temos de sentir com as promessas que nos foram feitas. Sem dúvida, uma verdadeira aldrabice!
A situação daqueles que vivem do trabalho é muito difícil. Para além dos salários baixos, é crescente o número de trabalhadores com empregos precários. São cada vez mais os que ficam com empregos descartáveis. A isto juntam-se: os graves problemas da habitação, o elevado aumento dos produtos de primeira necessidade (inclusive dos alimentos) e o crescente número de despedimentos colectivos.
É muito preocupante para o futuro de Portugal o número de emigrantes que saem anualmente para o estrangeiro. Em 2023, segundo o Observatório da Emigração, foram cerca de 70 000 os portugueses que emigraram. A maioria são jovens. Muitos deles são altamente qualificados. Por cada 100 portugueses que saem de Portugal há 62 imigrantes que entram. É neste contexto que o Governo propõe o “pacote laboral”.
São propostas dezenas de alterações à Lei que vão: aumentar a precariedade; facilitar ainda mais os despedimentos; dificultar a contratação colectiva; pôr em causa o direito de reunião, intervenção e informação sindical; limitar o direito à greve, arma decisiva para defender direitos e melhorar as condições de vida.
Perante tanta coisa tão má as confederações sindicais, CGTP e UGT, convocaram uma greve geral para 11 de Dezembro.
O País precisa de melhorar as condições de vida dos seus cidadãos. Os políticos da direita dizem que é preciso aumentar a produtividade para pagar melhores salários, mas a produtividade tem crescido muito mais que os salários.
A situação demográfica negativa que o país atravessa implica o estímulo à natalidade. O apoio aos pais e às crianças é fundamental, mas o Governo faz o contrário. Limita o direito à amamentação, o direito a horário flexível, e cria a possibilidade de obrigar os trabalhadores que têm filhos com menos de 12 anos a trabalhar à noite, aos feriados e fins de semana.
Perante tantas contrariedades, só restou às centrais sindicais convocar a greve geral. Caberá aos trabalhadores dar-lhe a dimensão que acharem adequada aos seus interesses.
Um dia de greve é um dia menos no salário ao fim do mês. É um sacrifício muito grande para quem vive com salários muito baixos, como são os da generalidade dos trabalhadores portugueses.
Vamos esperar para ver a resposta!

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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