Opinião

Galamba deve sair / Costa deve ficar

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À hora em que escrevo este texto, não é ainda conhecida a decisão do Primeiro-Ministro sobre a manutenção ou demissão de João Galamba como Ministro das Infraestruturas. Na minha opinião, Galamba tem de sair do Governo.
As agressões físicas ocorridas no seu gabinete, entre pessoas da sua estrita confiança pessoal, são de uma gravidade enorme. Não há memoria de tal vexame. Não foi qualquer estranho que entrou no Ministério para agredir alguém que lá trabalhasse; foi uma cena de pancadaria entre os colaboradores próximos do Ministro. Pode haver quem pense que esta situação não é grave por envolver segundas figuras do Ministério. Esses provavelmente dirão que só seria grave se fossem os próprios Ministros a envolver-se à pancada na sala do Conselho de Ministros.
Para além desta quebra de autoridade e da respeitabilidade associadas à função ministerial, o Ministro Galamba cometeu um ato de enorme gravidade: faltou à verdade quando disse que se tinha limitado a autorizar a CEO da TAP a participar numa reunião secreta com os Deputados que a iriam interrogar no dia seguinte. Veio a saber-se que foi o próprio Ministro que sugeriu a sua presença nesta reunião e que lá se combinaram as perguntas e respostas do dia seguinte. A audição parlamentar ficou transformada num simulacro ou numa palhaçada. Nunca se viu um dirigente de empresa publica preparar audições parlamentares com deputados, sob a mediação do Governo. É a total partidarização do Estado.
Um Ministro não pode mentir publicamente. Se o fizer, tem de ser demitido, sob pena de não ter mais condições de exercer a sua autoridade como Ministro.
Mas, se entendo que o Ministro deve sair, também entendo que António Costa deve ficar. Defender que o Governo deve manter-se em funções não significa qualquer juízo de aprovação do seu trabalho. Sou insuspeito nessa matéria. O que defendo, sim, é o respeito pelos mandatos, pelo resultado das eleições e pelo valor da estabilidade.
A estabilidade política não resolve todos os problemas. Mas a instabilidade só os acrescenta e agrava. Tudo seria diferente se estivéssemos no final do mandato ou se o Governo estivesse sem apoio parlamentar maioritário ou ainda se estivesse em causa o regular funcionamento das instituições. Não é esse o caso. Há pouco mais de 1 ano os Portugueses deram maioria absoluta a António Costa. Há que respeitar a vontade dos Portugueses.
PS- Quando terminarem os incidentes e escândalos em torno da TAP, será muito importante que António Costa venha esclarecer por que razão reverteu a privatização da TAP em 2016, nacionalizando metade dela, para mais tarde a nacionalizar completamente e agora a privatizar novamente. Vai privatizar em 2023 o que já estava privatizado em 2015. O problema é que no entretanto os impostos dos portugueses já entraram com mais de 3.200 milhões de euros. Continua a ser para mim um enigma como alguém se permite brincar com brinquedos tão caros.

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