Opinião

Gaifanas...

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Falar de praxes é falar de algo que sabemos que existe em muitas das atividades da nossa sociedade, escolas, universidades, fábricas, no desporto, etc. Nas praxes quem as sofre, na maioria dos casos, não lhes acha muita piada, já quem as pratica rejubila com os feitos. Praxes há, que envolvem alguma violência física. Naturalmente não recebem a minha concordata. Mas também temos praxes que são divertidas e que acabam por divertir as pessoas que as sofrem. Será que chegará a sua vez de também elas praxarem alguém?!
De uma praxe tenho memória, boa memória! Apesar de parecer violenta acabava por ser divertida, era democrática. Quando jovens, encontrávamo-nos no campo de basquetebol dos Olivais em Coimbra. E, quando por “azar”, aparecia por lá um novato para jogar, antes de começar o jogo, a decisão era unânime: “Vamos levar o miúdo ao poste!”.

Cuidado com as gaifanas!!!

Começávamos logo a rir só de olhar para a cara dele sem saber o que lhe ia acontecer. Começava a não gostar muito quando o grupo lhe caía em cima, o deitavam ao chão, agarrando-lhe nas pernas e nos braços, para depois tentar levá-lo até às árvores mais próximas, onde após três tentativas de acertar na árvore (poste). O que não era fácil! O praxado não era propriamente voluntário, daí que, dificultava-nos a tarefa. No final, se não houvesse amuos e ele aparecesse no dia seguinte passava a fazer parte do grupo. Gaifanas, esta foi a praxe mais sui generis, que me divertia imenso!
Quando, em Angola, num quartel no norte nos aparecia um maçarico e depois das apresentações normais, calhava-me a mim a primeira parte... Punha-me a olhar fixamente para a “vítima” e com ar sério convencia-o de que ele tinha gaifanas. E com um ar mais dramático esclarecia-o de que era uma doença dos olhos que se apanhava quando passávamos os trópicos. Quando a “vítima” começava a ficar convencida dizíamos-lhe que teria de se dirigir à enfermaria para que ali fosse tratado. Bem, escusado será dizer que o pessoal da enfermaria fazia parte da equipa, e assim dava continuação ao processo... E depois de uma observação mais especializada, começavam a cura para as gaifanas. Esta cura consistia em pintar a toda a volta dos olhos com mercúrio cromo. Escusado será dizer-vos a risada que era quando o maçarico voltava para junto de nós e rapidamente, entre risadas e umas cervejas, o momento ficava para mais tarde recordar.
Lembrei-me das gaifanas, quando um dia destes senti umas comichões nos olhos. Muito me ri! Mas não foi o único, pois ao comentar com a Lídia éramos os dois às gargalhadas... Ah!Ah!Ah! A vingança das gaifanas!!!
Nas músicas, Africafé – Organic House&Desert.
Nos livros, porque todos lamentamos a morte do Comendador Rui Nabeiro, e, porque é um romance que fala da vida deste senhor, “Almoço de domingo”, de José Luís Peixoto.

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