fotografias com HISTÓRIA com fotografias - António José Pinto de Oliveira – o fundador da OLIVA (IV)

A morte de António José de Oliveira Júnior, ocorrida no dia 28 de janeiro de 1935, deixou a família – que ele tanto adorava – mergulhada em profunda dor e S. João da Madeira privada de um dos seus mais ilustres filhos. Oliveira Júnior sucumbiu a uma pneumonia aguda, que o reteve no leito várias semanas, e o seu funeral constituiu a “maior manifestação de pesar até então realizada em S. João da Madeira”.
A edição do jornal “O Regional” número 342, de 10 de fevereiro desse ano, deu voz a várias personalidades, de que se destacam os nomes de Bento Carqueja, Aníbal Beleza, João da Silva Correia, Belmiro Silva, Cerqueira de Vasconcelos, entre outros, que recordaram o trajeto de vida de Oliveira Júnior, não se poupando nos bem merecidos elogios que lhe teceram.
Por seu lado, a Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira ficou órfã de um dos seus principais benfeitores, eleito provedor na primeira Assembleia Geral, realizada poucos meses após a criação da instituição.
No livro “Subsídios para a História da Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira”, publicado em 2000, o autor – Manuel Pais Vieira Júnior –, resume assim os 13 anos da provedoria de Oliveira Júnior: “(…) Foi uma quase sucessão de eventos que transformaram uma Instituição em fase de arranque numa instituição actuante em diversas valências, com fontes de receita e património próprio, susceptíveis de assegurar a continuidade da sua acção benfazeja, desde que mantida na linha de rumo da seriedade e confiança de início traçada”.

O vazio deixado por Oliveira Júnior haveria de ser preenchido pelo seu filho António José Pinto de Oliveira, “Irmão Benemérito”, eleito por unanimidade para ocupar o lugar de provedor até 30 de junho de 1936, termo do mandato da Mesa Administrativa em exercício.
Na tomada de posse, que aconteceu a 24 de fevereiro desse mesmo ano, o novo provedor fez saber que “a escolha dos Irmãos foi ditada mais pelo coração do que pelo raciocínio, pois a sua passagem pela Provedoria seria apagada, sem corresponder, portanto, às esperanças que nele depositavam”.
E, de facto, assim foi. Por um lado, as responsabilidades que o prendiam à sua empresa exigiam dele a quase totalidade do seu tempo e, por outro, a sua saúde começava a dar sinais de alguma fragilidade, o que o levou a dizer: “Quando a saúde falta, falta tudo!” Felizmente para ele, para S. João da Madeira e para o País, as maleitas que o incomodavam então não o impediram de ter uma longa vida.

De ampliação em ampliação, a “A. J. Oliveira & Cª. Lda.” caminhava a passos largos para se tornar uma das maiores empresas do País, graças à gestão visionária e vanguardista do seu fundador. António José Pinto de Oliveira passou a contar com o concurso de técnicos de altíssima qualidade e é com eles que se decide pela criação da indústria de máquinas de costura. Em 1942, requer o respetivo alvará, o que causou espanto no Ministério da Economia de então. O pedido, feito no decurso da Segunda Guerra Mundial, num país essencialmente agrícola, foi classificado como sendo um “verdadeiro acto de loucura”.
Sê-lo-ia, provavelmente, se fosse outro o requerente. Porém, António José Pinto de Oliveira era um homem de convicções fortes, que continuava a viver à frente do seu tempo. Dois anos antes, tinha-se antecipado às obrigações sociais que, mais tarde, foram tornadas obrigatórias pelo Estado. E não se ficou por aí. Deu vida ao núcleo da futura Fundação Oliveira Júnior, criada em 1955, com serviço de saúde para os funcionários da empresa, subsídio de casamento, nascimento, doença, invalidez, velhice e morte, auxílio escolar, abonos e cooperativa. Montou balneários, vestiários, refeitório, posto de socorros e passou a subsidiar as faltas de trabalho, entre outras regalias que os trabalhadores souberam sempre reconhecer.
Em 1943, por proposta do sindicato dos Metalúrgicos do Distrito de Aveiro, António Oliveira é agraciado pelo Presidente da República, com a Comenda da Ordem de Mérito Industrial, distinção atribuída, à época, às figuras nacionais que se destacavam pelas suas realizações, no setor. A aposição das insígnias decorreu na sede do sindicato, em Riomeão, a 28 de novembro desse ano.
A guerra acabou por retardar a construção da fábrica de máquinas de costura, que só aparecem no mercado, em 1947. Um ano depois, a 8 de julho, é inaugurada a fábrica de máquinas de costura Oliva, com a presença do ministro da Economia de então e várias personalidades da vida pública e económica nacional. A palavra “Oliva”, marca da máquina de costura portuguesa, foi tirada do nome Oliveira, para “condensar a orgânica do complexo industrial”, passando a ser honrosamente sinónimo de S. João da Madeira.
(Continua)
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