Opinião

Hortalices - A pedagogia do feijão e depois dela…

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Normalmente começa-se com um feijão, um boião e algodão. Mas a rima destas três palavras não chega para fazer nascer uma planta. Falta a água, esse elemento indispensável à vida, que os humanos procuram na Lua e em Marte, mas com o qual têm tão pouco cuidado no planeta em que habitam. O algodão coloca-se no fundo, cama fofinha para o feijão que lhe deitaremos em cima. Depois, mais uma mantinha de algodão. Finalmente, a água, o tal Elemento!
Agora, é uma questão de paciência. A criança vai todos os dias ver a evolução do seu feijão. Primeiro, vê-o engordar, depois abre-se uma pequena fenda entre as duas faces da semente, os cotilédones. Lá para o terceiro ou quarto dia, começa a surgir uma pequena haste esbranquiçada. Talvez tenhamos folhas verdes a partir do quinto dia, depende da temperatura. Aí está o feijoeiro! A criança fica contente por ver o resultado prático da sua ação. Para muitas crianças, este terá sido o primeiro contacto com o milagre da criação vegetal. Se lhe disserem que todas as plantas nascem mais ou menos desta forma, ela começará a compreender uma pequena parte do processo. Mas, se o feijão continuar ali por muito tempo, ele acabará por ficar amarelo e morrerá. É necessário colocá-lo na terra fértil, porque um feijoeiro não vive apenas com a água. Se for para a terra, esse feijão poderá crescer e transformar-se numa planta produtiva, capaz de dar vagens com feijões.
Muitos professores dos primeiros ciclos de ensino já fizeram essa experiência com os seus alunos e ela aparece recomendada no programa de Estudo do Meio. Mas, de um copo com algodão, água e um feijão não se faz um hortelão, cá voltamos à rima! O ideal seria que todas as escolas conseguissem desenvolver e aprofundar esta experiência, através de um espaço disciplinar a que chamamos Horta Pedagógica. Muitas escolas do país optaram por destinar uma parte dos seus logradouros à criação dessas hortas, onde os alunos podem participar, de forma real, nos processos de preparação do solo, de sementeira, de germinação, de rega, de crescimento, de floração e de aparecimento dos frutos. Assim, as crianças perceberão que cuidar das plantas exige paciência e persistência e, com essa compreensão, crescerá neles o respeito pela natureza: tratar da sua horta não é a mesma coisa que clicar numa tecla de telemóvel ou de computador, ou esticar a mão na prateleira do supermercado, para encher o saco de compras.
Um feijão é um bom princípio, mas, para se aprender Natureza, é preciso ir um pouco mais além.

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