Opinião

Efemérides

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O centenário do nascimento de Eugénio de Andrade

José Fontinhas Neto, filho de camponeses e conhecido pelo pseudónimo de Eugénio de Andrade, nasceu a 19 de Janeiro de 1923, numa aldeia da Beira Baixa.
Ainda criança foi para Lisboa, frequentou o ensino secundário e, muito jovem, com cerca de 13 anos, começou a manifestar a sua vocação pela literatura, em particular pela poesia.
Poeta reconhecido a partir de 1948, com a publicação da obra “As Mãos e os Frutos”, foi um grande poeta da Literatura Portuguesa e um cidadão interveniente. No período da ditadura, juntamente com Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Natália Correia e outros, por diversas vezes, com generosidade e coragem, tomou posição de modo inequívoco contra o regime fascista.
De toda a sua obra, não resisto a recordar “Fecundou-te”, um poema belíssimo, que Luís Cília musicou e cantou, criando uma das canções mais belas da resistência à ditadura que se ouvia às escondidas, com medo da PIDE.

OS 50 anos do assassinato de Amílcar Cabral

No dia 20 de Janeiro, fez 50 anos que Amílcar Cabral, fundador e secretário-geral do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi assassinado por um grupo terrorista a mando do regime de Marcelo Caetano.
A guerra na Guiné, previa uma derrota militar do colonialismo português e, alguns oficiais reclamavam soluções políticas, mas o governo marcelista não lhes deu ouvidos e utilizou este crime na tentativa desesperada de conseguir fazer recuar o PAIGC. Porém, tal não aconteceu, Aristides Pereira substituiu Amílcar Cabral, os guineenses mantiveram a determinação e a guerra continuou.
Em Maio de 1973, os guerrilheiros atacaram, com grande violência de artilharia, Guiledje e obrigaram o comandante português desse quartel - estratégico no plano da guerra, mas sem apoio, sem munições, sem comida e sem comunicações - a dar ordem de abandono das instalações militares, por ser a única forma de salvar a vida dos militares sob seu comando.
Em Setembro de 1973, foi proclamado, nas Colinas de Boé, dentro território ocupado pelos guerrilheiros, o Estado da Guiné-Bissau, de imediato reconhecido pela maior parte dos países membros da ONU, tornando Portugal ainda mais isolado no panorama internacional.
Menos de um ano após a proclamação da independência da Guiné-Bissau, a 25 de Abril de 1974, o regime fascista caiu de podre, na sequência do golpe militar das Forças Armadas.

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