
Quando surgiu a ideia de escrever estas crónicas o intuito era, e continua a ser, trazer à tona assuntos que preocupam ou alegram os residentes em São João da Madeira. Tento não trazer assuntos da esfera nacional, mas cingir-me ao que ao município diz respeito.
Não é para dizer por dizer, ou dizer mal por dizer. Não é para ser o velho do Restelo. É sim para alertar sobre o que vai menos bem e parabenizar pelo que vai bem. A liberdade permite-nos isto: dizer.
Ninguém muda nada sozinho, mas uma voz a dizer é melhor do que muitas silenciadas. Talvez muitos assuntos fiquem por abordar, talvez haja alguém que tenha mais opiniões a dar. Talvez haja quem não goste do que escrevo, talvez muitas pessoas apreciem. Certo é que a vontade de termos uma cidade melhor para vivermos depende de cada um. Se ninguém falar, tudo permanece como está.
Possivelmente é da pouca idade, que traz consigo esta vontade de “deitar cá para fora” o que “está cá dentro”. Pois vejo nos mais velhos uma serenidade de quem já não tem esperança que as coisas mudem. É como se a juventude acarretasse consigo uma vontade incansável de melhorar. E por que não aproveitar isso? A nossa serenidade enquanto povo perpetua comportamentos fraudulentos e corruptos. Parece que se apodera de nós um medo de querer exigir mais como se não fosse papel de quem dirige fazer o melhor. Limitamo-nos às queixas nas conversas de café e não passa disso, até porque passar disso dá trabalho.
Depois há o outro lado: de quem está nos comandos da cidade e que tem de ver sempre os dedos apontados para si. Estar sempre a ser criticado não deve ser bom. Ler que as coisas que se passam no município trazem problemas ou tristeza a quem cá vive não é agradável, com certeza. Porém, quando se dispuseram a assumir um cargo de liderança e de responsabilidade territorial têm a obrigação de fazer o melhor, independentemente da cor política que abraçam ou que crenças trazem no coração. Tentar que, por exemplo, um projeto que é bom continue a ser bom, mesmo que tenha sido idealizado por outro partido, é o mínimo que se espera. Coisa que não tem acontecido – a título de exemplo, a Sanjotec que é um projeto bom, encontra-se muito aquém do que poderia estar, talvez porque o partido agora em poder não é o mesmo que elaborou este empreendimento. O bem-estar da cidade e o seu sucesso deve ser uma preocupação que vai além das rivalidades políticas. Dito isto, não posso elogiar quando o que fazem é piorar a cidade.
Há coisas boas que se fazem na cidade – como a festa do Gin que tivemos no início deste mês. Uma ideia boa que traz divertimento a quem cá vive, convida a que pessoas venham conhecer a cidade, é uma forma dos comerciantes da restauração venderem mais. Contudo, fica difícil não chamar à atenção pelas falhas que vão acontecendo, como o que se passou este ano no palco. A chuva que chegou já se adivinhava, não foi surpresa e, mesmo assim, não isolaram bem o palco e choveu no palco enquanto os artistas trabalhavam. Erro que fica mal à cidade. Não foi uma chuva inesperada, já se sabia que vinha, pelo que a organização poderia ter acautelado esta situação.
Em suma, dizer. Dizer para exigir. Dizer para melhorar. Dizer para encorajar. Dizer para implementar.
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