
Sem aviso prévio, assim, naquele instante. Para tudo. Um terramoto, um tsunami, um furacão. Não dá para pensar, não há solução. A dor abraça-nos, um abraço traiçoeiro, hipócrita, covarde. Porquê? Procuramos incessantemente respostas. Parecemos abelhas tontas ou outra coisa ainda pior que a loucura tenha para nos oferecer. Levantam-se as questões, de que previamente, porque não acreditávamos, não cuidámos... E agora? Cremar ou sepultar? O fogo ou a bicharada? Venha o diabo e escolha... Que vida forte tem de ser para poder escolher, que força, que livre arbítrio, que independência, que fuga às influências, que distração, ficará tudo para os que cá ficarem...
Terá música? Qual a religião? Simples, despachem lá isso! Deixem-se de questões de última hora. O interessado que tivesse tratado disto tudo... Ele sabia, todos sabem que isto acontecerá. Porquê fugir?! Não há fuga possível. Porquê ainda é um tabu? Podíamos falar de sexo... Não! Estás doido!!! Esse é um tabu ainda maior!!! Tá bem! Só queria mudar de assunto. Porra, eu sei. Não digo que estou preparado para ela. Penso até que ninguém está... Mas uma coisa eu sei, não estou preparado para perder amigos, que infelizmente nos vão deixando. Inebriado pelo álcool que nos ataca o cérebro, pergunto-me o que estou a fazer, a falar da morte, que não interessa a ninguém, a pôr toda a gente de sobressalto, de algo que acontece a toda a hora. É inevitável... ela está aí. A escrita não vos agrada, dói, eu sei que dói. Mas, acreditem, a música é uma ajuda. Se não for música, pode ser uma história que nos faça rir, ou então, pensar tão profundamente que a dor seja superior à própria morte. A morte que não nos vença. Que raiva. Que mágoa. Que a alegria de viver prevaleça sobre todas as merdas que nos atrapalham.
Enquanto compus esta crónica fui ouvindo Chopin, para no final, desenfreadamente, ouvir Deep Purple.
Em memória de Aloísio.
Ir para o conteúdo

