Opinião

Dar a alguém momentos felicidade é um grande desafio!...

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Como professora, fui desafiada muitas vezes, para tornar felizes alguns alunos com sérias dificuldades na aprendizagem, devido a terem tido meningite, ou serem gerados por pessoa, viciadas no álcool.
Um dia chegou às minhas mãos, um rapazito de quase 14 anos no limite de idade, em que era obrigatória a frequência na escola.
Todas as professoras não o aprovavam, por não conseguirem ensiná-lo a ler.
Era bem comportado, e não perturbava os outros. Eu olhei para ele e disse para mim:
- Eu não vou desistir desta criança. Que sacrifício andar 6 anos a repetir o mesmo abecedário e a soletrar as mesmas letras!...
Então o Espírito Santo fez luz na minha mente.
Ele não conseguia distinguir as letras. Então usei a meneumónica isto é: associações, histórias, desenhos e canções que o ajudassem a distingui-las. Cada aula era uma alegria para todos os colegas.
Vou dar alguns exemplos, a quem se debate no ensino, com tais situações.
O `«á» era um menino que subiu a uma árvore e perante o perigo a mãe`grita: «à»!... ...
A história era desenhada a giz de côr, em que o «á» aparecia no desenho, na boca da mãe e o apêndice do mesma, fazia de nariz;
O «é» era a história da Ema que apanhou erva para um cordeirinho e que de um único filamento o dobrou, fazendo o «é» .
O «ó» era a história do Óscar e o desenho dos ovos ;
O i era a do menino chorão que fazia i, i, i, sempre que caía e ainda tinha uma lágrima, aparecendo desenhado um menino em esquema, acrescentando eu a esta letra a cabeça. Para os braços e pernas traços a cores, formando o boneco;
O «u» era a fábrica a apitar e a alegria do Urbano, porque o pai estava a chegar e ia jogar a bola com ele: O desenho era uma fábrica e o «u» escrito no cimo do cano da mesma;
O bê era a história da bola e o desenho de um rapaz em que a letra bê aparecia no pé, completando o boneco a partir do bê em esquema. Traços para os braços, um círculo para a cabeça e outro traço para a perna que faltava.
Era o «g» do gato, desenhando na letra um rabo e umas orelhas;
O « z» das abelhas, desenhando na letra o abdómen e as antenas e imitando o som que elas produziam.
O «x» dos paus para enxotar as galinhas;
O «fê» do foguete sem a bomba no cimo que rebentou;
O «nê» do nó e o jê da mangueira a jorrar;
O lê da fitinha do laço da menina vaidosa, mostrando eu uma fitinha e fazendo o laço;
O dê do dedo no ar do menino que queria responder;
Desenhava na minha mão esquerda fechada esta letra a cores e o respetivo boneco.
Toda a classe cantava para cada letra uma canção conhecida cuja letra eu inventava.
Era uma festa para os meus pequeninos!...
Que grande alegria este menino, sentiu quando pronunciou a primeira palavra. Eu agradeci ao Espírito Santo o ter conseguido.
Ensinei-o a dizer o som e logo a letra sem ele soletrar e depois que leu a primeira palavra um grande aplauso.

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