Opinião

Contrariar o Código Postal – ou a Importância do Investimento em Saúde

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O Ano Novo costuma trazer novos desafios. Neste ano que agora inicia, assumo o desafio de usar este espaço d’O Regional para partilhar convosco temas que, pretendo, sejam úteis, plurais e representativos dos interesses dos leitores.
Nesse pressuposto relembro, agora que decorrem os primeiros dias de 2026, o artigo publicado na primeira página do semanário Expresso, a 21 de novembro último, com o título “Isolamento e pobreza fazem disparar mortalidade”. A notícia foi já publicada há mais de um mês. Mas continua com uma pertinência e atualidade que, julgo, deve ser falada, lembrada e perpetuada.
No mencionado artigo é referido que, em Portugal, o risco de mortalidade varia de forma significativa consoante o “código-postal”: ou seja, o local de residência influencia, a todos e a cada um de nós, as hipóteses de longevidade ou de vida mais curta.
O mesmo artigo alerta para uma disparidade grave de saúde e de esperança de vida dentro do próprio país: a área onde alguém nasce ou vive pode condicionar fortemente quanto tempo vai viver.
A parte boa da notícia: São João da Madeira surge como um dos concelhos com melhores indicadores de mortalidade – ou seja, no nosso concelho, estes são notavelmente mais baixos quando comparados com outros. Um resumo recente de desigualdades por concelho referente ao triénio 2022-2024, indica que nos encontramos entre os 12 municípios com taxa de mortalidade padronizada mais baixa (menos de 10 mortes por mil habitantes), surgindo como o concelho do distrito de Aveiro que, nos Censos de 2021 registou crescimento populacional entre 2011-2021 e citado como “concelho favorável”.
Então, essencialmente, do que se trata, não será uma questão meramente estatística, mas sim aquela que traduz a existência (ou não) da conceção e adoção de medidas que promovam a mitigação de desigualdades, a valorização da saúde, a criação de efetivas condições que levam a caminhos do aprimoramento de políticas públicas municipais nessa tão importante área: a da saúde, pensadas de forma estratégica e com sentido.
E, convém recordar: no ano de 2017, iniciou-se, nesta área da saúde, um novo percurso no Concelho de São João da Madeira, concretamente com a criação, no executivo camarário, de um pelouro com o mesmo nome. Nasceu, aí, um caminho orientado por políticas que assumiram aquela área como uma prioridade, norteando a ação conducente à sua promoção, encarando-a como suscetível de intervenção prioritária e de importância basilar.
Desta premissa, muitos projetos nasceram, cresceram e tomaram corpo, agora incluídos no Plano Municipal de Saúde (PMS) de São João da Madeira (SJM), parte integrante da Estratégia Municipal de Saúde (EMS), verdadeiro instrumento estratégico orientador de ações sustentáveis para a promoção da saúde e bem-estar da população.
Relembrando alguns desses programas: desde 2018 e ao longo destes anos, o município vacinou, gratuitamente, 780 crianças; criou no ano de 2019 o Projeto de Saúde Oral, responsável por, até ao momento, mais de 14 000 consultas; implementou o projeto PRIMUS – de prevenção da saúde cardiovascular, dirigido a crianças das escolas e a trabalhadores de empresas; reforçou a oferta da atividade física e desportiva no 1.º Ciclo do Ensino Básico; reintegrou, no Projeto Educativo Municipal, o Programa ColorADD nas Escolas”, sensibilizando e alertando para a prevenção e diagnóstico do daltonismo; implementou o programa “Crescer Bem e Saudável”, - no qual se inclui os programas “Lanches Escolares Saudáveis”; retomou o programa “Fruta Escolar”, e melhorou o programa “Reeducar o Alimentar”; lançou a Agenda Municipal da Saúde… entre (tantos) outros.
Destes programas e das políticas que aos mesmos estão associados resulta, certamente, o facto de ver, espelhado na notícia publicada no Expresso, um trabalho realizado consistente, sólido e articulado, associado à implementação de políticas municipais na área da saúde – o que muito nos orgulha e que gostaríamos (e que esperamos!), ver continuado.
Bom Ano!

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