
É já visível uma nova vida no Palacete dos Condes, edifício emblemático de S. João da Madeira.
A reconversão do Palacete num hotel de qualidade superior é um exemplo inspirador de como requalificar o património, potenciar o turismo e impulsionar a economia local.
Numa altura em que é comum edifícios antigos permanecerem votados ao abandono ou ao esquecimento, esta solução, delineada pela Câmara Municipal no âmbito do programa Revive, impediu desfecho idêntico para este icónico edifício.
Durante cerca de três décadas o Palacete dos Condes Dias Garcia, imóvel do século XIX — um exemplar raro da chamada “arquitetura dos brasileiros” — esteve fechado, desprovido de função e de atenção, não obstante ser propriedade do Município de S. João da Madeira.
Tratava-se de um imóvel a envelhecer sem propósito, à margem do desenvolvimento da nossa cidade. Reverter este cenário exigiu coragem política, visão estratégica e compromisso.
O investimento de cerca de 16 milhões de euros feito pelo grupo Hoti Hotéis, proprietário da marca “Meliá”, no quadro de uma concessão por 50 anos. Esta solução vai muito além da recuperação física do edifício, trata-se de um projeto que cria valor. Em primeiro lugar, valor cultural, ao preservar a arquitetura original do palacete e respeitando a sua identidade. Em segundo lugar, valor económico, com a criação de 40 postos de trabalho diretos e o efeito multiplicador esperado no comércio, restauração e serviços locais. Em terceiro lugar, valor turístico, posicionando S. João da Madeira como um destino de eleição, não apenas pelo seu já reconhecido programa de Turismo Industrial e pela sua dinâmica cultural, mas também por uma oferta hoteleira diferenciada.
Há ainda uma leitura mais profunda: a do simbolismo. Ao devolver vida ao Palacete dos Condes a cidade está a celebrar a sua história e a afirmar que não se resigna ao abandono do seu património. Está a demonstrar que é possível conjugar passado e futuro, memória e desenvolvimento.
Tratou-se de uma decisão tomada pela Câmara Municipal, revestida de um profundo carácter estratégico, por quanto visa a aposta num turismo cultural e industrial qualificado, promovendo sinergias com equipamentos como o Museu do Calçado, o Museu da Chapelaria, o Centro de Arte da Oliva e a Casa da Criatividade.
O futuro hotel no Palacete dos Condes representa, pois, muito mais do que a simples recuperação de um edifício antigo e em deterioração. É uma operação com visão de futuro, de compromisso com a cidade e de respeito pela memória.
Defender esta solução não é aplaudir o que já foi feito. É afirmar o caminho certo para S. João da Madeira, um caminho que respeita o passado e constrói o futuro, com critério, com visão, com coragem e compromisso.
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