Opinião

Bonança...

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Depois da tempestade vem a...
A desorientação, a reconstrução, a preocupação, a solidão. A mais forte das tempestades, as emoções agudizam-se, acreditamos nas religiões, até acreditamos em quem nos governa. E as aves de rapina que proliferam, à espreita de verem o que é que nos podem sonegar. Tentamos ser fortes, pôr para trás das costas o pessimismo atroz que nos ataca. Sentimos um vazio, olhamos o novo princípio por onde vamos começar!
Nuvens escuras pairam sobre as nossas cabeças, estamos de mãos e pés atados! Acreditamos ao longo dos anos, que este país, à beira mar plantado, era um paraíso, nada nos faltava: alimentação, educação, habitação. Fica bem nos slogans políticos, nas poesias, nas cantigas, nas promessas, cada vez mais vãs! O cepticismo é uma palavra encrustada na nossa pele. Acreditar, só se for nas fadas, e, enquanto formos crianças. Até porque estas histórias da carochinha desvanecem-se das nossas vidas. E a bonança das nossas vidas com pensões de miséria, com centros paliativos onde poderíamos morrer com alguma dignidade, sem vagas.
Bonança, só naquela série televisiva sobre a família Cartwright (Bonanza), essa sim, tinha sempre fins felizes. Foi só para desanuviar o ambiente. Mas, porra... que país é o nosso, para que precisamos de partidos neste momento em que devíamos todos dar as mãos e em força ajudar a reconstruir e a limpar a porcaria da desgraça que nos caiu em cima. Que peso, que esforço enorme temos de despender para nos aliviar desta carga medonha. Por momentos valha-nos o sol que voltou a brilhar e, como luz forte que é, dá-nos uma ajudinha. Com a resiliência de que somos capazes de ter e, que já provamos noutras alturas, que somos um povo maravilhoso, e, com capacidades, não de vaidades superiores, mas de encararmos a realidade e transformá-la em algo melhor do que aquilo que tínhamos.
Pumba! De repente, os senhores da guerra resolvem criar mais uma telenovela dramática, que vai durar muitos dias, atacam o Irão. Porque não nos juntamos ao primeiro ministro espanhol, e dizemos todos não à guerra?! Onde pára aquele slogan do século passado? Anos sessenta, setenta... “Make love, not war!”. Pela parte que me toca tento manter a minha pequena bonança diária, mantendo o corpo ativo nas minhas caminhadas no Parque do rio Ul. Um destes dias tive a sorte de acompanhar três “velhos companheiros”, já com uma enorme pedalada, autênticos profissionais na arte de caminhar, somando quilómetros. O que retive destes três amigos foi o exemplo de fair play que eles me deram. Cada um deles vestia um blusão com a cor do clube da respetiva simpatia. Quando me despedi deles vinha feliz por ter nas minhas relações amigos com um bom carácter .
De regresso a casa só me faltava subir a minha “Labrujinha”! Esta é a minha forma de enviar um abraço a todos os que já fizeram a Caminho Central para Santiago de Compostela e subiram a Serra da Labruja.
Neste enorme caos que começam a ser os nossos dias, acreditem, é possível construirmos as nossas pequenas bonanças.
Nas músicas, “MIdnight Women of the Blues – Etta James & Janis Jopplin.
Nos livros, “Meditações”, de Marco Aurélio.
Boas bonanças.

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