Opinião

Austeridade ou empobrecimento?

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“Este mês de maio vai ter trinta e dois dias e meio”

O Orçamento de Estado para 2022 contém uma opção política que, não sendo popular, é, no entanto, uma opção política responsável. Refiro-me à opção de reduzir o deficit e a dívida pública.
É bem certo que a maioria dos cidadãos eleitores está pouco interessada em saber quanto é que o Estado deve ou quanto pede emprestado em cada ano. Mas o facto de não darmos valor a estes indicadores, não significa que não sejam fundamentais à nossa sobrevivência como país. Também no nosso dia a dia não pensamos no valor que tem o ar que respiramos, a não ser quando chega o momento da falta de ar.
Também não demos importância ao valor da divida, que se acumulava assustadoramente no segundo governo de José Sócrates, até ao momento em que deixou de haver quem nos emprestasse dinheiro e Portugal teve que chamar a Troika. Mas, para que a troika nos emprestasse dinheiro, Portugal teve que se sujeitar a um conjunto de condições de má memória (incluindo cortes de salários e de pensões).
Tudo porquê? Porque durante vários anos fomos vivendo com dinheiro emprestado, acumulando dívida a tal ponto que os credores consideraram que já não a poderíamos pagar e, por isso, se recusaram a continuar a emprestar. Enquanto nos recordarmos desta lição, não podemos voltar a repetir os mesmos erros. Por isso, apoio firmemente a opção de reduzir o deficit, para que possamos pedir cada vez menos dinheiro emprestado, e caminhar para pequenos excedentes orçamentais, para que possamos abater alguma parte da dívida.
Mas não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. O Governo já assumiu, pela voz do Ministro das Finanças, que em 2022 haverá perda de poder de compra. Se os salários aumentarem 0,9% e os preços no supermercado e na bomba de gasolina aumentarem 5,4%, os portugueses irão comprar menos 4,5% de bens ou produtos. É como se o salário do mês de maio tivesse que chegar para trinta e dois dias e meio.
Ou seja: 2022 será um ano de austeridade. Mas, como já se percebeu que o Governo mostra muito incómodo com a palavra austeridade, podemos então chamar-lhe um ano de empobrecimento ou de aperto de cinto das famílias.

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