Opinião

António José Pinto de Oliveira – o fundador da OLIVA (II)

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O projeto de uma nova fábrica começou a tomar forma pouco depois do Regicídio de 1908. Pela sua dimensão, adivinhava-se uma obra demorada, num investimento que ultrapassaria os 100 contos, à época uma verdadeira fortuna. As previsões mais otimistas davam-na como concluída lá para meados da segunda década do século XX.
Por essa altura, António José de Oliveira Júnior sobressaía no panorama político e social da região. Em outubro de 1908, era membro efetivo da lista que o partido Regenerador apresentou às “eleições camarárias” do concelho de Oliveira de Azeméis, de que S. João da Madeira era freguesia.
Prestou juramento e ocupou o lugar de vereador, a 9 de dezembro desse ano.
Participou, ativamente, com o seu filho António José, na “luta” travada contra o projeto inicial da construção de uma estação do caminho de ferro, no lugar da Buciqueira, conseguindo que a mesma fosse erigida no local onde se encontra hoje, perto do centro da povoação, como convinha.

Oliveira Júnior e o filho, António José Pinto de Oliveira, fotos de 1915 e 1912, respetivamente

Oliveira Júnior, apesar de não ter formação académica, possuía a virtude nata de falar em público. Coube-lhe fazer o elogio dos beneméritos Visconde de S. João da Madeira e seu genro, António Dias Garcia, na homenagem que esta terra lhes prestou, em novembro de 1909. Sobre o acontecimento, referia o jornal “A Opinião”, de Oliveira de Azeméis, a dado trecho: “Em seguida foi concedida a palavra ao bemquisto industrial sr. António José d’Oliveira Júnior, o qual, n’uma linguagem primorosa, vibrante e d’uma eloquencia arrebatadora, começou por agradecer á junta o ensejo que lhe proporcionou para manifestar o seu reconhecimento aos dois benemeritos, aos quaes a freguezia de S. João da Madeira muito devia”.
Com um traçado inovador e ocupando uma área ampla, o novo edifício fabril da “Oliveira, Palmares & Cª, Lda.” entra em atividade, em 1914. Passou a ser popularmente designada por “Fábrica Nova” e estava equipada com o que de mais moderno havia naquele tempo, com destaque para o equipamento importado da Alemanha, cujo funcionamento era garantido por uma central elétrica privada. A gerência contratou técnicos alemães que, entre outras coisas, davam formação aos chapeleiros da empresa.
Pouco habituados ao progresso tecnológico, influenciados pelas forças sindicais e, muito provavelmente, pelos industriais concorrentes, os operários da empresa revoltaram-se contra a proletarização e contra as máquinas, iniciando um período de convulsões sociais, que o escritor sanjoanense João da Silva Correia tão bem retrata no romance “Unhas Negras”.

Foto do espólio de Carlos Alberto da Costa, com a inscrição no verso “Aqui nasceu a Oliva”

António José de Oliveira Júnior desempenhou um papel importantíssimo no apaziguamento dos ânimos e a empresa seguiu o seu caminho de sucesso, pese embora a precária conjuntura internacional, marcada pelos efeitos da I Guerra Mundial.
Com a morte do sócio Pedro Martins Palmares, em 1919, vitimado pela implacável pneumónica ou gripe espanhola, a empresa passou a denominar-se “Oliveira, Lda.” e, um ano depois, foi vendida a um grupo de investidores do Porto. A partir de então, passa a “Empresa Industrial de Chapelaria”, uma sociedade por quotas, em que os sócios, Oliveira Júnior e António José Pinto de Oliveira, ocupam o lugar de administradores-delegados.
Em 1922, pai e filho desentendem-se com os outros sócios da EIC, sobre a gestão da empresa, o que leva à sua saída. Termina, assim, a participação da família Oliveira num projeto de grande sucesso, criado por ela e que foi um dos maiores do género, no País.
Não demorou muito até que os dois voltassem às lides empresariais, impelidos por uma propensão natural para o empreendedorismo e para grandes feitos, já não no setor da indústria chapeleira, que começava a dar mostras de alguma fragilidade, mas no da promissora indústria metalomecânica.
É, assim, que surge a empresa “Oliveira, Filhos & C.ª Lda.”, escriturada a 31 de julho de 1925. Trata-se de uma pequena fundição de ferro e serralharia mecânica, paredes meias com a Empresa Industrial de Chapelaria, ocupando uma área de 2.700 m2 e contando apenas com vinte colaboradores.

(Continua)

Primeira publicidade da “Oliveira, Filhos & C.ª Lda.”, inserida na edição de aniversário de “O Regional”, de 1926

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