Opinião

Alvorada - Coligação ideológica ou um pacto à europeia?

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O título deste texto remete para o final das eleições legislativas, agendadas para o próximo dia 30. Procedi a um ajustamento do inicialmente idealizado, retirando à questão, a expressão “maioria”.
Inspirado pelos resultados das sondagens publicados até ao dia 25 deste mês, ou pela mudança de discurso dos candidatos, em que a obtenção de uma vitória clara de um só partido aparece como uma miragem.
Na verdade, os argumentos para seduzir e convencer os eleitores do centro, a chamada maioria silenciosa, foram escassos e reduziram-se à aprovação do Orçamento de Estado para 2022.
É pouco.
O eleitorado precisava de mais. Necessitava de perceber que reformas de Estado seriam executadas em maioria de um só partido e entender o que impediu de as colocar em prática nos últimos dois anos.
A penalização dos parceiros da anterior coligação, denominada genericamente de gerigonça, apesar do resultado das sondagens o preverem, não será canalizada para a obtenção de uma maioria absoluta do PS.
Em princípio, pelos estudos eleitorais, nenhum partido conseguirá a maioria absoluta.
Neste cenário, as coligações pós-eleitorais serão essenciais para a viabilidade e estabilidade de um futuro Governo.
Tudo estará em aberto.
Em primeiro lugar, a possibilidade de repetição da coligação PS-CDU-BE, se a soma dos seus deputados permitir obter nova maioria. Ainda neste capítulo, poderá acrescentar-se os potenciais eleitos pelo Livre.
Por outro lado, a possível maioria obtida a partir dos eleitos dos partidos da direita, PSD-CDS-IL, que terá que contar com o voto favorável do partido Chega, para viabilizar um governo, com todos os riscos inerentes, atendendo à instabilidade e à vontade de protagonismo do presidente deste partido.
Qualquer um destes cenários, essencialmente de coligações ideológicas, poderá ser conquistado com o apoio do PAN. Este partido poderá ser essencial para desempatar as eleições e decidir quem formará o próximo governo.
Qualquer das soluções é débil.
A continuação da intitulada gerigonça, criará um problema sério ao Presidente da República, atendendo ao resultado da eleição antecipada gerar um hemiciclo idêntico ao anterior, o que fragilizará a posição da mais alta individualidade do Estado Português, que viverá a coabitação refém das vontades dos parlamentares.
Face a toda esta incerteza, instabilidade e fragilidade, poderá iniciar-se uma solução de maior durabilidade e solidez.
Acordos entre grupos parlamentares de diferente ideologia.
À semelhança de países outros europeus, como por exemplo a Alemanha, onde por acordo escrito e negociado durante meses, nasceu uma coligação entre o SPD, os Verdes e os Liberais, sucedendo a um governo igualmente de coligação entre os Democratas Cristãos e os mesmos Verdes.
É certo que nesses países europeus, os resultados eleitorais provocam parlamentos igualmente fragmentados, só que na dispersão, há um número semelhante de eleitos, ao contrário de Portugal, onde na próxima eleição prevê-se uma concentração de eleitos em apenas dois partidos, ficando os restantes pouco representados. Pelo que não será possível encontrar-se soluções eficazes.
A menos que o desígnio nacional obrigue a um pacto social-liberal, correspondente a 70% do parlamento. Uma reedição de uma solução governativa de má memória, que ficou para a história como bloco central.
É certo que os tempos são outros.
Tudo fica em aberto, até à contagem dos votos no domingo.

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